Uma bala de ouro acabou de forma trágica com um romance
Em 20 de abril de 1847, foi cometido um crime que atravessaria séculos. Júlia Clara Fetal, filha de portugueses respeitados e criada com esmero, era conhecida por sua educação refinada: falava francês, tocava piano, cultivava artes e bons modos.
Ela estava noiva de João Estanislau da Silva Lisboa, professor de inglês que dava aulas para jovens da elite baiana, em Salvador. Mas o sentimento entre eles já havia perdido a força. Júlia, amadurecendo e vivendo novos círculos sociais, havia se encantado por outro rapaz e, planejava pôr fim ao noivado.
Estanislau, porém, não suportou a ideia. O ciúme, inicialmente contido, transformou-se em obsessão. Num gesto dramático e perturbador, ele derreteu o anel de noivado e mandou moldar com ele uma bala de ouro que carregaria ao encontro final.Naquela tarde, dominado pela perturbação, invadiu o sobrado da família Fetal.
A conversa entre os dois mal teve tempo de se formar: Júlia, serena, tentava explicar sua decisão; ele, exaltado, não ouvia mais nada além da própria frustração. Então ergueu a arma. O disparo ecoou pelas paredes antigas. A jovem caiu, atingida no peito, e a cidade inteira, em poucas horas, repetia com horror a história da bala de ouro.
O crime chocou a Bahia. No julgamento, Estanislau foi condenado a 14 anos de prisão com trabalho. E, num desfecho que muitos consideraram cruel para a memória de Júlia, ao cumprir a pena ele retornou à vida comum, voltando a dar aulas de inglês como antes.
O sobrado onde Júlia viveu e foi assassinada está extremamente preservado até hoje e é aberto à visitação em Salvador.











