O menino de 11 anos resgatado de dentro de um barril, onde teve as mão e pés acorrentados, disse à polícia que chegou a comer fezes. O caso foi descoberto neste sábado em Campinas (SP), após a criança ser encontrada por policiais militares dentro de um barril de ferro em uma casa no Jardim Itatiaia. As informações são do G1.

“Ele disse para mim que chegou a comer fezes, porque não davam comida para ele”, disse Mike Jason, 2º sargento que acompanha o caso.

A corporação foi ao local após denúncia de vizinhos e três pessoas foram presas suspeitas pelo crime de tortura, entre elas, o pai do menino, a namorada dele e a filha desta mulher após registro do caso na 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), no Jardim Londres.

Segundo a PM, o menino era mantido em pé no espaço onde também fazia necessidades fisiológicas. O local era coberto por uma telha e havia uma pia de mármore por cima para impedir a saída dele.

A corporação diz que foi acionada após moradores da região perceberam que o garoto havia deixado de ir para a escola e de brincar com outras crianças do bairro. Os policiais contam que entraram na casa após autorização da jovem de 22 anos, que é filha da namorada do pai do menino.

No local, diz a PM, o menino estava nu, debilitado e apresentava sinais de desnutrição. Os policiais usaram um corta-fios para remover as correntes e ele foi socorrido por uma equipe do Samu ao Hospital Ouro Verde, onde permanecia internado até este domingo e sob a tutela de uma tia paterna. A determinação foi feita pelo Conselho Tutelar da metrópole, também comunicado durante a ocorrência.

“Eu só queria algo para comer”, diz o menino durante um vídeo gravado pela PM na ocorrência.

Já o pai dele e a namorada, diz a corporação, foram presos em flagrante no momento em que voltaram de um supermercado para a residência.

 

Sofrimento e castigo

 

O pai da criança, um auxiliar de serviços de 31 anos, teria alegado que o menino “é agitado dentro de casa” e fez isso para educá-lo, segundo texto do boletim de ocorrência. O menino, diz a PM, ficava impossibilitado de sentar ou agachar e, com isso, também apresentava pernas inchadas.

A Polícia Civil considerou que o homem aplicou violência e grave ameaça que provocaram intenso sofrimento físico e mental; enquanto que a namorada dele, uma faxineira de 39 anos, e a filha dela, que atua como vendedora, se omitiram e nada fizeram para evitar os resultados.