Natal a melhor época do ano. Troca de presentes, famílias reunidas, comidas gostosas, criançada correndo pela sala. Quem não ama o Natal? Esse ano a expectativa para festas de fim de ano são grandes, com uma certa tensão pelo grande vilão: o novo Coronavírus e o isolamento social imposto por ele. Tem gente que estava ansioso, pois quanto mais se aproximam as festas natalinas, mais certeza temos de que esse ano chega ao fim! E quem não quer não virar a folhinha de 2020?!

Mas apesar da tensão causada pela pandemia, a certeza é que praticamente todo manauara quer sim comemorar a data festival, nem que seja em uma ceia mais intimista.

Como é o caso da Monique de 30 anos que apesar de ter perdido familiares vai realizar uma ceia para a família. Para ela, mais que nunca esse é um Natal que deve sim ser comemorado, mais do que isso, deve ser uma celebração da vida. E ela aproveitou a manhã calma para comprar enfeites e confeccionar com o filho uma guirlanda e a árvore de Natal.

“Natal em casa vai ser realmente bem íntimo, só marido e filho, talvez minha mãe e um minha irmã que tem marido também, e uma filha.  Sempre tem que fazer porque é o nascimento de Jesus.  A gente tem que ter essa idealização. De sentar à mesa com a família, rezar e agradecer a Deus pelo ano. Mesmo sendo um ano difícil a gente sobreviveu a pandemia, resta esperar o que o futuro nos reserva. Infelizmente alguns tiveram familiares que se foram nessa pandemia, mas temos que comemorar os vivos, então a gente tem que comemorar sim”.

E não é só ela que pensa assim, Adriana de 33 anos disse que pretende sim comemorar com a família, claro, sempre mantendo os cuidados e evitando aglomerar. “A gente sente muito que as pessoas tenham perdido seus familiares. Na minha família graça a Deus, não perdemos ninguém. Então esse ano o Natal lá em casa vai ser para celebrar a nossa vida. Não vamos convidar todo mundo como no ano passado, mas vamos comemorar com certeza”.

 

 

 

Rua mais popular ainda não se acendeu para o Natal

 

O que se pode ver no Centro de Manaus, é que apesar da data as vendas estão tímidas. Umas das ruas mais populares e que qualquer fã de Natal conhece é a Guilherme Moreira, famosa pelas importadoras que quando chega os últimos meses do ano fica cheia de Papai Noel, árvores de todos os tamanhos, guirlandas e as mais variadas decorações.

Apesar da data, esse ano o que se viu foi pouco artigos natalino, já que alguns comerciantes preferiram não se arriscar e investiram em outras mercadorias. As mais tradicionais, como a importadora Façanha, não abriu mão e colocou os festões, piscas-piscas e tudo o mais para jogo.

“Tá vendendo, mais não como no ano passado. A minha expectativa esse ano é bem baixa. Porque os produtos vieram bem poucos, acho que todo mundo pediu menos. Eu tô aqui a muito tempo e essa é a primeira vez que vejo isso acontecer. Mas vamos ficar confiante sim de que tudo vai melhorar” revelou o gerente Lourival, da importadora façanha.

 

 

Comércio correndo contra a Maré

Diferente do gerente Lourival, o gerente Felipe Sanches, de uma das mais grandes do mercado diz que junto com a equipe montou uma estratégia de negócio e que já vem vendo os resultados. Segundo ele as vendas esse ano foram melhores até do que o esperado.

“Tivemos um crescimento de 10% em relação ao passado. A gente teve que comprar menos mercadoria de Natal, mas não comprometeu, apesar de a gente não conseguir trazer alguns produtos. Esse ano eu acho que tem muita gente que vai comemorar o Natal, na verdade apostamos nisso, toda a nossa campanha foi voltada para isso. Esse ano foi um ano atípico, o cliente passou um pouco mais de tempo em casa então aí deu um pouco mais de valor, talvez esse momento e o Natal serão realmente para ser tipo um respiro e uma alívio. A gente tem uma teoria aqui dentro que quando o ano é ruim geralmente Natal para gente comercialmente é muito bom porque as pessoas querem compensar a sua frustração”.

Para Felipe, essa data será de renovação. “Hoje eu digo assim que Natal continua sendo a melhor época do ano comercialmente, ela é a mais forte e a gente já vem apresentando crescimento em todas as unidades, de todas estão apresentando crescimento, então esse ano, assim não tem Natal negativo não, tá até melhor que ano passado”.

 

Nova realidade

De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes de Lojistas (CDL) de Manaus, Ralf Assayag, esse será um ano que todo o comércio terá que se adaptar para a nova realidade do mundo.

“Esse ano nós vamos ter realmente um Natal bem diferente. Primeiro nós temos aí a situação da pandemia, não pode ter aglomeração. Segundo nós vamos ter um volume de dinheiro maior correndo no mês de dezembro, porque as pessoas não estão viajando nem saindo dos estados e nem para o exterior. Até mesmo com dificuldade de voos que diminuíram muito e ficaram muito caros. Então nós vamos ter maior número de pessoas em dezembro em Manaus como também nós vamos ter a folha de pagamento funcionário público que no ano passado não foi pago no mês de dezembro e paga no mês de janeiro então vai ter um volume bem considerado a princípio em torno de um milhão e meio então por causa disso não devemos ter um crescimento, mas nós estamos ainda fazendo a pesquisa que deve estar saindo no início do mês de dezembro para confirmar essa previsão nossa”.