O padre Robson de Oliveira Pereira, 46 anos, famoso por pregações lotadas em todo o Brasil, por Missas transmitidas na Rede TV e por arrebanhar milhares e milhares de fiéis, é acusado pelo Ministério Público de Goiás de liderar uma quadrilha que desvia o dinheiro da Igreja para manter uma vida luxuosa e avarenta.

Criador e presidente da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), ele é suspeite de usar a associação para fazer os negócios escusos. Entre os pecados do padre está a compra de um imóvel luxuoso na Praia de Guarajuba, na Bahia, por R$ 2 milhões, pagos à vista.

“As contas bancárias da Afipe foram usadas para comprar fazendas, residências em condomínio fechado, apartamentos em São Paulo e Goiânia, fazendas em todo o Brasil, mineração. Quer dizer, a Afipe é hoje uma grande empresa. Ela tem o argumento religioso mas se converteu em uma grande empresa no Estado de Goiás que explora inúmeras atividades, agropecuaria e mineração, compra inúmeros imoveis e vende inúmeros imóveis”, disse o promotor Sebastião Marcos Martins, coordenador da investigação.

Chamou a atenção nas investigações uma chácara com paredes de vidro, piscina termal e vista para um belo jardim. O MP pediu a prisão do padre, mas o juiz negou. A Afipe movimentou em três anos R$ 120 milhões. A associação existe para manter a obra da  Basílica do Divino Pai Eterno, em Trindade, a 23 km de Goiânia.

MENSAGENS AMOROSAS E COMPROMETEDORAS 

Tudo começou em 2017 quando o padre Robson foi vítima de extorsão. Roubaram o computador e o celular dele e começaram apedir dinheiro para não revelar “imagens e mensagens eletrônicas com informações pessoais, amorosas e profissionais que levassem a prejudicar sua imagem”, diz o MP.

O padre então pegou  R$ 2 milhões da Afipe e deu aos bandidos. Após longa trajetória na Igreja Católica, formação no Vaticano e benção do Papa Bento XVI, Robson estão sendo crucificado. Sua carrerira de celebridade inclui missa na Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos e Novena dos Filhos do Pai Eterno em Israel, Portugal, Espanha, Itália, México e França. “Não existe nenhuma má intenção, atividade criminosa [nas negociações investigadas]. São números altos? São. Números altos me condenam? Não. Tudo que a Afipe faz é dentro da regra e da lei”, declarou o padre.