A promotoria de Justiça de Manicoré instaurou Notícia de Fato para apurar a morte da criança Saimon Gabriel Freitas Neri da Costa, de seis anos, que morreu internado no hospital da cidade depois de ter quebrado o braço ao cair de uma moto em movimento junto do seu pai.

A mãe, Sandy Freitas, que registrou um boletim de ocorrência por negligência médica, explica que o acidente ocorreu na quinta-feira (18). Na ocasião, Samuel e o pai foram levados para o Hospital Dr. Hamilton Cidade, onde ficaram internados. Samuel foi diagnosticado com uma fratura e precisava engessar o braço, mas o procedimento demorou dois dias para ser realizado.

No sábado (20) à noite, o procedimento para imobilizar o membro foi iniciado, mas o garoto estava agitado e com dor e o médico decidiu aplicar anestesia local. Samuel teria recebido três doses do anestésico, porém, ainda continuava sentindo fortes dores.

A mãe estava na sala acompanhando o garoto e tentando acalmá-lo. Ela foi informada de que seria melhor anestesiar totalmente a criança e colocá-la para dormir enquanto o braço era engessado. O problema é que assim que a anestesia geral foi aplicada, os sinais vitais do menino foram diminuindo e ela começou a se desesperar. Sandy percebeu que a boca do filho estava ficando roxa e o corpo pálido e alertou o médico.

Imediatamente a equipe começou o processo de reanimação e Samuel foi levado para outra sala para ser intubado. Algum tempo depois, ela foi informada da morte do pequenino.

Em entrevista para o Bom Dia Amazônia, da Globo, Sandy disse que a anestesista de plantão não foi chamada para acompanhar a cirurgia e que o médico ortopedista decidiu pesquisar na internet a quantidade de anestesia que deveria administrar.

Sandy acusa negligência médica e quer que os responsáveis respondam por seus atos. Ela afirma que vai entrar com processo na Justiça e que não deixará a morte do filho cair no esquecimento.

O promotor de Justiça Vinícius Ribeiro de Souza relatou que o caso, além de ter sido noticiado em vários veículos de comunicação, teve grande repercussão na cidade, por isso a abertura do procedimento que abre investigação dentro do Ministério Público.

Dessa forma, o MP oficiou à autoridade policial local para que relate as medidas adotadas e à secretaria municipal de Saúde para que preste as informações dos procedimentos adotados no atendimento à criança. O prazo dado aos dois entes públicos para que enviem as informações ao MP é de 15 dias, contado a partir da data de recebimento dos expedientes.