“Dei apenas um soco nele. Assumo meu erro. Nem sabia daquele estrago todo. Eu não estou arrependido, até porque fui abusado. Se fosse outro em lugar seria pior. Quando falei que ele ia para a delegacia ameaçou que iria se jogar do carro. A corrida durou de cinco a dez minutos”, defende-se o motorista de transporte urbano privado por aplicativo Paulo Lima, 27, acusado pelo passageiro Cleyton Oliveria de agressão física e tentativa de homicídio após saber que ele era homossexual.

O motorista foi até o 10° Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde o caso foi registrado e contou o seu lado da história. Conforme Paulo, o passageiro Clayton o assédio durante a viajem, passando a mão nas partes íntimas dele. Diante de toda a imprensa ele contou tudo o que aconteceu naquele noite de quarta-feira (12).

Paulo disse que naquela noite já havia rejeitado algumas corridas e para não ser bloqueado no aplicativo acabou aceitando a corrida de Cleyton. “Ele mandou uma mensagem perguntado se eu queria uma mamada para relaxar. O cara passa o dia todinho trabalhando, estressado, no trânsito, sol quente. Ai o cara vem com uma proposta indecente dessa, mas o que eu fiz, ignorei a mensagem e aceitei a corrida.

Para Paulo, Cleyton já errou ao entrar no veículo e sentar na frente, está embriagado e sem máscara, devido a pandemia, os motorista devem manter o distanciamento social e correto seria sentar no banco traseiro. A partir daí, segundo Paulo as coisas ficaram piores.

“Todo vez que ia passar a marcha ele se esfregava em mim. Ai eu disse: ‘Meu amigo é o seguinte, fica pra lá deixa eu terminar minha corrida sossegada e te deixar em casa”, relembra Paulo. Ainda de acordo com o motorista, ele foi molestado pelo passageiro, que insistiu, mesmo ele pedindo respeito.

“Ele só fez dá um sorriso sarcástico. Sorriu da minha cara! Quando parei no sinal e botei as duas mãos no volante ele segurou nas minhas partes íntimas. Vamos falar o português claro? Ele segurou no meu pau e apertou. Não tô arrependido porque fui abusado e ele tentou se aproveitar da situação”, finaliza o motorista.

Áudios que circulam na internet e que supostamente foram gravados de dentro do veículo, pelo sistema de segurança que motorista de aplicativos tem adotado para a segurança deles, registraram toda a conversa e ‘bate’ com a versão de Paulo.

O caso será investigado pelo delegado João Neto do 10° DIP. “Nós recebemos o BO de que Cleyton havia sido agredido por sua orientação sexual. Nós localizamos os envolvidos, e o suposto agressor confirma a agressão, mas não por questões de orientação sexual e sim por ter sido apalpado”, explica o delegado.