Que a vida é efêmera todos nós sabemos, mas o cotidiano, a correria do dia a dia, o estresse, o trabalho, nos fazem esquecer das coisas que são verdadeiramente importantes: um sorriso verdadeiro, deitar no sofá pra assistir um filme com quem gostamos, brincar com os filhos, etc., etc., e etc., momentos que se eternizam e não voltam mais.

E desde o dia 13 de março, quando o primeiro caso do novo Coronavírus foi confirmado no Estado, aprendemos muitas coisas desde então. Que a vida é passageira, somos frágeis – até mesmo os mais ‘fortes’ –, um vírus pode nós afastar ou tirar quem amamos, família é importante e não poder vê-los é doloroso demais.

O ‘novo normal’ tem feito todos esquecerem como foi sentir medo: de morrer, de perder, de contaminar. E hoje (20), vendo a imagem de um pai, que passa dia e noite acompanhando o filho internado por Covid-19 pela janela do hospital do município de Barreirinha, distante cerca de 331 quilômetros da capital, sem poder pega-lo no colo, nos fez lembrar. Não, é muito mais do é isso. Foi ESPERANÇA, de que tudo vai melhorar.

Fotos: Jair Carneiro/Divulgação

Fotos: Jair Carneiro/Divulgação

E não foi só dessa jornalista que lhes escreve que esse sentimento aflorou. Ver Rafael Gaia, 28, pendurado na janela, brincando de bola com o filho, também chamou atenção do enfermeiro plantonista noturno Roni Tavares. “Ycaro (o filho) estava um pouco agitado, choroso, então dei um balão pra ele, foi quando ele percebeu o pai na janela e lhe ofereceu o balão que ganhou”, contou o enfermeiro a um portal local.

Ycaro Rafael Marinho de 1 ano e 6 meses de idade está internado após ser diagnosticado com o vírus, ele a mãe estão em isolamento no Hospital Coriolano Cidade Lindoso, no município. Por ter ficado como acompanhante da criança, a mãe também foi infectada.

Fotos: Jair Carneiro/Divulgação

Fotos: Jair Carneiro/Divulgação

“Se não fosse a janela de vidro do hospital, não teria como ver meu filho que está isolado”, contou Rafael emocionado, ele e a esposa moram no Distrito do Ariaú. De acordo com Rafael,  nunca, ele e filho ficaram longe um do outro. Sem poder ver a criança o pai logo deu um jeito de matar a saudades.

Fotos: Jair Carneiro/Divulgação

A equipe do hospital apoia a atitude do pai e afirma que a criança fica muito animada ao ver o genitor, joga o balão no vidro da janela que é para o pai rebater. Para a equipe ao sorrir, o sistema imunológico da criança é estimulado, reduzindo o estresse e aumentando número de célula imunes e anticorpos que combatem infecções como a Covid-19.

Fotos: Jair Carneiro/Divulgação

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