Sem festa, por conta da pandemia do novo coronavírus, a Federação das Indústrias do Estado do Amazonas voltou às origens nesta segunda-feira, 3 de agosto, para celebrar os 60 anos de sua fundação. E homenagear o trabalho de centenas de homens e mulheres que nas últimas seis décadas vêm construindo a instituição, desde o início com um papel dos mais relevantes na história do Amazonas e participação decisiva no desenvolvimento do estado.

“Nessa galeria, estão os pioneiros da indústria amazonense, não apenas os que assinaram a Carta Sindical, mas também os anônimos precursores da atividade industrial no Amazonas, desde os heroicos tempos da borracha e da juta, todos os diretores e funcionários de ontem e de hoje”, lembra o presidente da FIEAM, Antonio Silva, que, assim como outras lideranças tem participado ativamente para a consolidação da entidade na defesa dos interesses do segmento empresarial industrial do Estado do Amazonas.

Fundada em 3 de agosto de 1960 por cinco das mais importantes lideranças sindicais da indústria do Amazonas, dentre eles, Abrahão Sabbá, Moysés Israel e Antônio Simões, a FIEAM, como as outras 26 federações dos estados e Distrito Federal vinculadas à Confederação Nacional da Indústria (CNI) , passou a administrar de imediato o Serviço Social da Indústria (SESI)  e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI),  fundados, respectivamente, em 1949 e 1957, no Amazonas. Em 1970, foi criada a superintendência regional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL).  As quatro entidades, cada uma com sua missão, formam o Sistema FIEAM.

Para Antonio Silva, que na pandemia passou a integrar o Comitê Indústria ZFM e Covid-19, além de participar do Grupo de Trabalho Pós-pandemia, a busca de estratégias para enfrentar a crise desencadeada pelo novo coronavírus, que mobilizou o segmento industrial, junto com outros setores da sociedade amazonense, é encarada como um desafio no trabalho desenvolvido pela FIEAM nesses 60 anos.

No período de maior gravidade da pandemia, em Manaus, entre os meses de abril e junho, a FIEAM, junto com os parceiros CIEAM (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Abraciclo  e Eletros,  foi à luta através da Ação Social Integrada, campanha para arrecadação de cestas básicas dirigidas à parcela mais vulnerável da população, também uma forma de ajudar a manter o isolamento social em Manaus. A Ação já distribuiu mais de 240 toneladas de alimentos que foram arrecadados junto às empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) e outros parceiros.

As indústrias do PIM têm sido, segundo Silva, ótimas parceiras do Sistema Indústria e, particularmente do Sistema FIEAM, ao longo da sua história, não apenas aderindo a campanhas de solidariedade, quando convocadas, mas também como os principais clientes do SESI e do SENAI, nas áreas de educação, saúde e segurança no trabalho. “Torcemos para que o PIM mantenha até o fim do ano os bons resultados obtidos no primeiro trimestre de 2020,  em faturamento, exportações e emprego, porque assim, teremos a garantia de que as perdas na economia do Estado com a pandemia serão mínimas”, disse Antonio Silva

Conquistas

Nesses 60 anos, a FIEAM, por meio do SESI e do SENAI, principalmente, vem contribuindo para fortalecer a atividade industrial no Amazonas, ao estimular a educação profissional e a formação de mão de obra para a indústria, promover qualidade de vida e educação básica de qualidade para os trabalhadores, mas também para seus dependentes, além de oferecer ao segmento soluções integradas e inovadoras que influenciam na competitividade e no desenvolvimento sustentável da indústria amazonense.

“Para isso criamos uma rede de escolas profissionalizantes em Manaus e no interior, laboratórios, agências de treinamentos, unidades móveis fluviais e terrestres, o que representa, nesse período, cerca de 800 mil matrículas efetivadas pelo SENAI em todo o Estado”, pontua Antonio Silva, ao colocar em destaque a atuação dos barcos-escola Samaúma, em especial o pioneiro, inaugurado em 1979, que já somou 60 mil atendimentos em 65 municípios de praticamente toda a região amazônica.

Outro ponto alto no atendimento aos trabalhadores e à população em geral, destacado por Antonio Silva, o Clube do Trabalhador do Amazonas, que completa em setembro deste ano 40 anos de atividades ininterruptas, com exceção dos três meses fechado por causa da pandemia. Um dos maiores complexos esportivos dedicados aos trabalhadores em todo o país, o SESI Clube foi ampliado e totalmente reformado em 2008. Hoje, conta com estádio de futebol, dois ginásios, dois campos de grama sintética, duas quadras de tênis, duas para vôlei de praia, parque aquático com piscina olímpica, academia de ginástica e musculação, duas academias ao ar livre e pista para caminhada.

À frente dos 27 sindicatos patronais que integram a Federação, Antonio Silva tem dado ênfase à atuação da FIEAM como entidade estratégica para o fortalecimento da indústria no Estado, seja na defesa dos interesses dos segmentos industriais, no Congresso Nacional, ou na urgente construção de novas matrizes econômicas para o Estado.

Hoje, a principal batalha do líder empresarial, nesse primeiro campo, tem sido a reforma tributária, especialmente nos pontos que ameaçam as vantagens comparativas do modelo Zona Franca de Manaus. “O governo está vindo aí com outras propostas de Projeto de Lei que prometem reacender a polêmica depois de tudo que já foi discutido em relação às PECs 45 e 110 de 2019”, conta Antonio Silva.

Além do Projeto de Lei nº 3.887/20, que unifica PIS e Cofins, criando um imposto sobre valor agregado, já batizado de CBS (Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços), o governo promete outros três PLs, um deles, alterando o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o que significa chumbo grosso nos próximos capítulos. E a FIEAM reaquece as turbinas e vai à luta! De novo.