Faz pouco tempo que a última enchente histórica de Manaus ganhou destaque na mídia nacional. A Agência Brasil e o Portal UOL de notícias destacam desde ontem (8) a proximidade de ser alcançada a marca de 1953, quando se deu a maior enchente do Rio Negro na História. Faltaram pouco mais do que 3 centímetros para que o nível deste Rio majestoso e tenebroso supere a marca registrada há 56 anos, ocasião da maior cheia ocorrida na cidade. O rio sobe de forma intensa, alcançando a marca dos 26,04 metros, de acordo com o Porto de Manaus. De acordo com os registros históricos do Serviço Geológico no Amazonas, as maiores médias no volume do Rio Negro foram registradas nos anos de 1953: 29, 69 metros; 1976: 29,61 metros e em 1989: 29,42 metros.

 

As informações coletadas serão fundamentais para prever como ficará a situação da cheia em Manaus e nos municípios vizinhos. Apesar da alta do Rio Negro, a cidade de Manaus e todo interior vem sendo castigados com fortes chuvas e assustando as autoridades que batem cabeça com a pandemia do vírus chinês. “Se o nível do Solimões subindo, o Negro irá também represar nos próximos dias. Isso porque o nível alto do rio Negro, em Manaus, não é resultado apenas das chuvas, mas também do próprio Solimões, que exerce uma função de represamento sobre o Negro, impedindo a vazante desse rio”, como todos os anos os técnicos do CPRM explicam, explicam e os responsáveis fazem ouvidos de mercador diante da tragédia anunciada.

 

CHUVA E PENÚRIA


As previsões do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) apontam chuvas para os próximos dias sobre a bacia do rio Negro e também em Manaus. O Sipam, com sede em Manaus, sempre ressaltou a importância da relação entre o clima, a floresta e os rios existentes no Amazonas para a compreensão da atual situação. É importante a prevenção e as ações de combate às enchentes. Em Manaus, onde na última grande cheia mais de 20 mil pessoas foram atingidas pela cheia, a prefeitura e o governo estadual trabalharam em conjunto na operação SOS Igarapé Limpo. Na época, a ação teve como objetivo a limpeza dos igarapés que, em determinados bairros da cidade, transbordaram em decorrência das intensas chuvas e do acúmulo de lixo. Hoje nada está sendo feito.

 

A TÁBUA DE SALVAÇÃO DO INTERIOR

O trabalho realizado pela Defesa Civil, pelo Corpo Militar de Bombeiros, por funcionários das prefeituras do interior e por integrantes das Forças Armadas são os que amenizam o sofrimento e o risco dos ribeirinhos e, pasme, dos habitantes das sedes. As equipes tentam impedir a proliferação de doenças e problemas decorrentes dos resíduos acumulados debaixo das casas. Toneladas de lixo foram retiradas, pela administração Artur Neto, das bacias do Educandos e de São Raimundo – dois dos locais mais atingidos pelas cheias de todos os anos. A cidade de Manaus tem mais de 10 bairros diretamente atingidos pela ação das águas, incluindo o centro da capital. Entre os pontos públicos, que podem ser alagados, estão a Escadaria dos Remédios, a Feira da Manaus Moderna e a Alfândega.

 

PREPARAR ABRIGOS


A ação das enchentes não vai pegar ninguém de surpresa como a pandemia pegou. Mas até agora, nenhum abrigo público foi preparado para receber as famílias desabrigadas. Já que a maior parte das famílias começam a deixar suas casas em busca de alimentos e kits de marombas, tábuas de madeira colocadas no chão das casas onde os móveis ficam acima do nível da água.

 

SOS ENCHENTE


O governador Wilson Lima lançou a Operação Enchente 2021, com o anúncio de um pacote de ações para minimizar os impactos sofridos pela população dos municípios que serão afetados ou que já estão isolados pela cheia dos rios neste ano. O investimento será de mais de R $67 milhões em ações como ajuda humanitária; crédito e anistia de dívidas; apoio ao setor primário; e instalação de abrigos e de estações de tratamento de água. A operação visa socorrer, inicialmente, os 19 municípios das calhas dos rios Juruá, Purus e Madeira, onde vivem aproximadamente 130 mil pessoas.

 

Ninguém merece!!!

  • Em meio a um surto de doenças como dengue e malária na região, cerca de 15 mil pessoas e mais de três mil residências foram atingidas por uma cheia histórica no município amazonense de Eirunepé.
  • Dos 19 municípios das calhas dos rios Juruá, Purus e Madeira, onde vivem aproximadamente 130 mil pessoas, sete já decretaram Situação de Emergência, todas já homologadas pelo Estado. Os municípios são Guajará, Ipixuna, Itamarati, Eirunepé e Envira, na calha do Juruá; e Boca do Acre e Pauini, na calha do Purus.
  •  Conhecido como La Niña, o fenômeno de águas frias do Oceano Pacífico faz o período de chuvas na Amazônia – o “inverno amazônico” – ser mais severo neste começo de ano. A condição é reforçada por temperaturas acima do normal no Atlântico norte.
  • Após a região ter sido afetada, em 2020, por um clima seco que levou estes mesmos rios a níveis críticos de vazante, por conta das águas mais quentes no Atlântico norte, agora o esfriamento do Pacífico provoca um volume elevado de chuvas, com as consequentes inundações.
  • As casas estão todas inundadas, com o assoalho encoberto. As pessoas precisam levantar com tábuas e vigas para que possam transitar dentro de suas residências. As pessoas precisam de comida, colchão, roupas, porque perderam praticamente tudo.