Um filhote de gavião-real foi deixado em uma caixa na portaria do Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), do Exército Brasileiro, em Manaus no dia 12 de julho. Ele foi levado para o hospital da instituição e observado pelo médico veterinário, Tenente Ricardo Lopes da Cruz. O filhote foi internado e recebeu os primeiros cuidados.

“O animal estava bastante debilitado, quase sem sinais vitais. Após 48 horas de hidratação, alimentação e medicamentos, o filhote melhorou o estado clínico e foi possível realizar exames mais detalhados. As imagens de raio X revelaram que ele sofreu duas fraturas, uma na asa direita e outra na perna direita, que precisarão passar por cirurgias e imobilização.”, informou o Tenente.

Segundo a Dra. Tania Sanaiotti, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e Coordenadora do Projeto Harpia, o filhote é bem novinho. “É um filhotinho de aproximadamente 2 meses de idade. Provavelmente sofreu uma queda do ninho. Os pais devem estar sentindo a sua falta, pois cuidariam dele por mais de 2 anos, até que ficasse completamente independente.”, comentou a pesquisadora.

Desde o alerta da pandemia da Covid-19, esse é o terceiro caso notificado de remoção de gavião-real da natureza na Amazônia, informou Diogo Lagroteria, Coordenador da Rede de Segurança do Projeto Harpia e Analista Ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica/Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.

Um dos casos ocorreu em Parintins-AM e o animal está sob os cuidados da equipe do CETAS/IBAMA-AM. O outro foi no Acre, que está sob os cuidados da equipe do CETAS/IBAMA-AC. “Todos esses animais foram encontrados muito debilitados e correndo risco de morte. Muitas harpias estão sendo removidas da natureza, uma das razões para o declínio da sua população, juntamente com o desmatamento. Estamos trabalhando coordenados na recuperação dessas aves e vamos avaliar se possuem condições de reabilitação e devolução para a natureza”, afirmou Diogo.

O Projeto Harpia está em busca de mais informações sobre a procedência do filhote deixado no Zoológico do CIGS. A única informação que deram ao deixarem o filhote foi que ele veio da estrada que leva à Vila de Balbina, em Presidente Figueiredo-AM. A informação da sua origem é importante para os pesquisadores terem maiores chances de devolver esse animal à natureza!

Quem souber de mais informações sobre a procedência do filhote, por favor, entre em contato pelo WhatsApp 2740422060 ou e-mail projetoharpiabrasil@gmail.com