Sob a coordenação da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), a Polícia Civil, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM) e a Polícia Militar deflagraram, nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (02/10), a operação “Sanguessuga” com o objetivo de desarticular uma organização criminosa responsável por fraudar mais de R$ 30 milhões em impostos estaduais e federais no Amazonas. Estão sendo cumpridos 83 mandados de prisão, busca e apreensão em Manaus e no interior.

Ao todo, foram presas 25 pessoas, sendo um em flagrante pelo crime de tráfico de drogas. Com os suspeitos, foram apreendidos no total de R$ 100 mil em espécie, 15 veículos, duas armas de fogo, três quilos de entorpecentes, mais de 30 computadores e documentos.

A operação Sanguessuga é fruto de investigação da DERFV com colaboração do Detran-AM, e vem ocorrendo há mais de um ano. Os trabalhos começaram a partir da identificação, pelo Departamento de Trânsito, de condutas suspeitas no sistema de registro de veículos. As investigações da Polícia Civil comprovaram a existência de uma estrutura criminosa voltada à sonegação de tributos estaduais e federais. Esse grupo fraudou algo em torno de R$ 30 milhões em sonegação de impostos como ICMS, IPI e lucro cessante do IPVA.

 

Fraudavam CRV e CRLV

A quadrilha estava fraudando a emissão de Certificado de Registro de Veículo (CRV) e Certificado de Registro de Licenciamento de Veículo (CRLV), que deviam circular exclusivamente na Zona Franca de Manaus, mas estavam deixando o estado sem o recolhimento de tributos. Os veículos eram revendidos para outros estados, com preços inferiores. Foram comercializados veículos para o Pará, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

 

Falsificavam documentos para veículos roubados

“A investigação comprovou que o esquema conseguia também emitir segundas vias de documentos CRV a fim de ‘esquentar’ veículos roubados e clonados, ou seja, eles clandestinamente auxiliavam quadrilhas que roubavam e clonavam veículos com a emissão de documentos para esses veículos trafegarem livremente”, destacou o delegado Cícero Túlio.

Os membros da organização criminosa vão responder por seis crimes diferentes. Associação criminosa, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, tráfico de influência, inserção de dados falsos em sistema de informação e crimes contra a ordem tributária.

Entre os alvos da operação, estão despachantes documentalistas, servidores do Departamento Estadual de Trânsito, estagiários e ex-estagiários do órgão. Aliciados pelos despachantes, eles recebiam propina mensal de R$ 5 mil para participar do esquema, segundo a investigação.

Estão sendo cumpridos 83 mandados de prisão temporária, sendo 29 de prisão temporária e 19 de busca e apreensão. A Derfv também pediu o sequestro de 35 veículos com o proveito econômico do crime.   Dos alvos, 16 são despachantes documentalistas, um vistoriador, sete servidores do Detran, um ex-servidor, três ex-estagiários e um estagiário.

 

Efetivo

Mais de 300 agentes da Polícia Militar, Polícia Civil, Detran-AM e SSP-AM participaram da operação. O secretário de Segurança, Coronel Louismar Bonates, esteve no comando operacional ao lado da Delegada-Geral da Polícia Civil, Emília Ferraz, do Comandante-Geral da Polícia Militar, Coronel Ayrton Norte, do diretor do Detran-AM, Rodrigo de Sá, e do titular da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos, delegado Cícero Túlio.