Como a maioria das empresas brasileiras, a PAM Indústria de Plásticos Injetados Ltda retraiu suas atividades no início deste ano por causa da queda da atividade econômica. Para manter o equilíbrio financeiro e as linhas em funcionamento no Polo Industrial de Manaus (PIM), a empresa viu-se obrigada a dispensar metade de seus 800 funcionários.

Mas o desespero frente ao desconhecido deu lugar a esperança. “Há dois anos estávamos realizando nova estratégia de expansão, até que a crise se instalou e, em seguida, veio a pandemia. Inspirados por nossos parceiros e clientes, pensamos: por que não diversificamos nossas ofertas e levamos esse jeito de trabalhar para outras áreas?”, relembra o diretor da PAM, o administrador Marcelo Pastore.

A empresa remodelou-se, reorganizou-se e consolidou sua posição em outro importante nicho de mercado. A PAM passou a produzir embalagens de EPS, além de continuar operando com excelência na produção de peças plásticas e injetáveis. EPS é a sigla internacional do Poliestireno Expandido, que nada mais é do que o conhecido isopor.

“Hoje, quando se compra uma televisão, grande parte do plástico desse produto é feita aqui. E o aparelho vem em uma caixa de papelão, protegido pelo EPS, que também sai da nossa linha de produção”, explicou o diretor Marcelo Pastore. De acordo com o diretor, uma mudança do tipo não acontece do dia para a noite. A PAM, estimulada por clientes e parceiros, recorreu a estudos e descobriu quais oportunidades de mercado eram viáveis nesse momento de crise. Pastore conta que a direção da PAM chegou a pensar em abandonar o PIM e partir para outra região do país.

“Acabamos avaliando que existe muita oportunidade no Amazonas. Nossa raiz já estava aqui. Mesmo com as constantes dúvidas sobre a continuidade do modelo da Zona Franca de Manaus, não deixamos de investir e acreditar na região nesses 38 anos de operação da empresa na capital do Amazonas”, destacou .

O diretor explica que as reviravoltas na economia exigiram um grande esforço interno. Segundo ele, para agradar clientes e atender as expectativas de cada um é necessário entender o que está acontecendo no mercado e se reinventar sempre. E é graças a essa versatilidade que a PAM tem em seu currículo, como clientes, empresas de origem europeia e asiática, basicamente japonesas, coreanas e chinesas.

A fábrica que chegou a operar com mil funcionários, no início de 2020 contava com 800 colaboradores. A metade dispensada durante a fase mais crítica de contenção de gastos, já foi recontratada para trabalhar na nova ala da empresa. Cerca de 400 empregos diretos foram gerados pela PAM neste final de ano.

A empresa adquiriu máquinas novas e de última geração, ampliando a capacidade de produção dentro dos elevados pré-requisitos internacionais de qualidade. Construiu um galpão de 9 mil metros quadrados e utilizou a rede de contatos para informar sobre a inovação aos parceiros comerciais.

O aumento das demandas por produtos eletroeletrônicos como televisores e ar condicionados, assim como de informática, esgotou os estoques das lojas durante a fase mais aguda do período de reclusão por causa da pandemia. A retomada da rotina operacional ocasionou um “boom” na produção dos principais artigos fabricados no PIM a fim de recompor as prateleiras e depósitos do comércio varejista.

A PAM recebeu um grande volume de encomendas a curto e médio prazo por estar apta a suprir a carência do mercado no momento em que as linhas de produção voltaram a trabalhar em ritmo acelerado. “Ao invés de trazermos vários técnicos de fora, contratamos somente um e investimos na mão de obra local. Decidimos manter o lançamento para este ano, na contramão do mundo todo, por acreditarmos na região”, revela o presidente da empresa, Luiz Antônio Pastore.