O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, em reunião virtual nesta segunda-feira (24), pela plataforma YouTube, defendeu o modelo Zona Franca de Manaus, que gerou, segundo ele, uma “indústria forte e competitiva”.

Para lideranças empresariais reunidas no Comitê Indústria ZFM Covid-19, ele disse que o governo tem responsabilidade perante a região, mas que é preciso provar cada vez mais a capacidade da indústria de expandir as suas atividades buscando integrar as cadeias da biodiversidade e da bioeconomia. A reunião teve como mediador o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Antonio Silva.

Formado para tratar dos problemas decorrentes da pandemia do Covid-19 em relação às atividades do Polo Industrial de Manaus, o Comitê, em sua 20ª reunião, debateu com o vice-presidente sobre as novas matrizes econômicas do Estado do Amazonas, com participação do presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas, Wilson Périco, do presidente da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), José Jorge do Nascimento,  do presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, e do presidente do Conselho Superior do CIEAM, Luiz Augusto Rocha.

ZFM ESTÁ ASSEGURADA

O presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, fala à imprensa

Na visão do governo, o modelo Zona Franca de Manaus está assegurado, com seus incentivos fiscais, até que a região esteja definitivamente integrada ao restante do país e ao mundo e que, consequentemente, seus custos de produção sejam menores que os atuais. Só então, segundo ele, poderá ser cortado o cordão umbilical dos benefícios fiscais que representam não mais que 10% dos benefícios que o governo concede. “Esse é o planejamento que temos que ter, um sistema de gangorra”, garantiu o vice-presidente.

Para Mourão, o modelo Zona Franca de Manaus vive hoje sua terceira fase, depois de um início como área de livre comércio, a chegada mais forte das indústrias, nos anos 1980, e agora a consolidação e diversificação da produção. “Já sabemos que vamos entrar numa quarta fase, muito mais competitiva, onde será preciso agregar a economia do conhecimento”, disse ele. A partir daí, será importante, segundo ele, a interação Universidade-Estado-Empresa, onde a pesquisa aí gerada esteja voltada para atender às demandas da indústria, sendo o papel do governo o de facilitador, propiciando que a integração ocorra.

CBA PARA O FUTURO

Mourão destacou o papel que terá o CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia) para o futuro desse trabalho de pesquisa na região, com menos burocracia e independência com relação à Suframa, como fundação pública de direito privado. Só não podemos deixar o CBA se transformar em mais um instituto de ciência e tecnologia, mas que atenda aos interesses da indústria.

O vice-presidente, que em abril deste ano assumiu o comando do Conselho Nacional da Amazônia, chamou a atenção das lideranças reunidas no stream para a necessidade dos setores produtivos estarem inseridos na leitura ESG da produção, que vem do respeito ao meio ambiente, à proteção social e com uma sólida governança para evitar o desperdício de recursos e aí, de fato, entrando na era da economia do conhecimento. Isso, segundo ele, será fundamental para o salto de qualidade na Amazônia.

“Nós vamos romper a produção industrial em massa, substituída pela inovação dos produtos, com uso de robôs, o que vai aumentar a produtividade e fazer surgir novas áreas de emprego. É onde entra o trabalho do SESI, SENAI, do Sesc, para mitigar essa mudança de paradigma onde os trabalhadores terão quer ser qualificados para atender à exigência desse novo mercado de trabalho”.

NOVAS MATRIZES

Ex-dirigente militar na região, onde atuou desde o final dos anos 1960, o coronel Hamilton Mourão concordou com o presidente da FIEAM, Antonio Silva, de que é preciso solucionar gargalos na região, como a BR-319, hoje praticamente inoperante. De acordo com Silva, a reabertura da estrada (que liga Manaus a Porto Velho) trará uma diminuição considerável do ‘transit time’ para se chegar aos mercados do Sudeste, de 22 para três dias, o que, segundo ele, representa muito no custo da logística e do frete.

Por outro lado, o Amazonas, que até a exploração do pré-sal, era o terceiro estado em contribuição média para a produção da Petrobras, segundo Mourão, precisa continuar explorando suas jazidas de gás em Coari. “Eu vejo nitidamente para o futuro da matriz econômica do Estado do Amazonas a indústria integrada aos produtos da floresta, atraindo investidores do centro-sul do país”, disse ele.

O turismo é outro setor em que o Amazonas precisa avançar. Mourão revelou ter tratado desse assunto recentemente com o presidente da Embratur, Gilson Machado, inclusive sobre a necessidade de Manaus recuperar os voos internacionais que tinha – hoje a cidade possui voos diretos apenas para os Estados Unidos. “Temos que atrair o turista europeu, explorar melhor o potencial da região para o turismo ecológico que é extraordinário”, disse.

REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA

Outro setor em que o governo precisa avançar com urgência, segundo Mourão, é o da regularização fundiária, principalmente no sul do Amazonas, na área de Humaitá, Apuí e Juma, motivo de preocupação devido aos problemas ambientais causados por desmatamentos e queimadas. “É preciso dar a essas pessoas acesso a financiamento, a assistência técnica e rural, e que possam aumentar sua produtividade sem precisar derrubar mais uma árvore sequer naquela região”.

Em relação a investimentos, Mourão anunciou que já têm sido feitas tratativas com organismos financeiros, como o próprio Banco Mundial e o BNDES, para oferecer linhas de financiamento que permitam a atividade produtiva do Amazonas avançar de forma acelerada, fazendo essa integração entre a produção e a sustentabilidade, que, segundo ele, é a marca do século 21.

Depois de três reuniões dedicadas exclusivamente ao tema da reforma do Sistema Tributário Brasileiro, com a participação de especialistas em Zona Franca de Manaus, o Comitê Indústria ZFM Covid-19 fechou a 20ª reunião e o mês de agosto, em tom otimista. “O nosso futuro parece mais promissor”, disse o presidente da FIEAM, Antonio Silva.