Em 14 de janeiro de 2021, Manaus viveu o ápice de uma tragédia sanitária com o esgotamento total dos estoques de oxigênio nos hospitais. O colapso, ocorrido durante a segunda onda da Covid-19, transformou unidades de saúde em cenários de guerra, onde pacientes morreram por asfixia e profissionais de saúde, como o médico Juan Carlos Villagomez, enfrentaram o trauma de perder pacientes e familiares enquanto lutavam contra a escassez de recursos básicos para manter a vida.
O desequilíbrio entre a oferta e a demanda foi brutal: enquanto a produção local era de aproximadamente 28 mil metros cúbicos diários, o consumo saltou para mais de 76 mil. O caos forçou a transferência urgente de mais de 500 pacientes para outros estados e levou cidadãos comuns a formarem filas desesperadas em busca de cilindros particulares. Apenas em janeiro de 2021, o Amazonas registrou mais de 64 mil casos, evidenciando a falta de preparo para o avanço das novas variantes.
Investigações e documentos revelam que a crise não foi imprevisível; fornecedores como a White Martins já haviam emitido alertas sobre o consumo alarmante dias antes da ruptura. O poder público, nas esferas federal, estadual e municipal, é alvo de duras críticas por omissão e falta de planejamento. Relatórios indicam que alertas foram ignorados e que a intensificação do transporte de oxigênio só ocorreu quando o sistema já havia colapsado totalmente.
Atualmente, a batalha se concentra na justiça e na preservação da memória. Ações civis públicas buscam indenizações bilionárias contra o Estado por danos morais e sociais, enquanto algumas famílias já obtiveram vitórias judiciais individuais. Em homenagem às vítimas e aos profissionais da linha de frente, espaços como a praça “Anjo da Esperança” foram inaugurados, simbolizando a busca por reparação e o compromisso de que tamanha negligência não se repita.











