“Eu clamo por justiça. Que a justiça seja feita! Nós estamos clamando justiça pelo meu filho e pelos outros também que estão aí dentro”, declarou aos prantos Kelliane Correa, mãe do soldado Jhonatha Corrêa Pantoja, de apenas 18 anos, que morreu com um tiro de fuzil no peito na madrugada do dia 3 deste mês, dentro do 7º Batalhão de Polícia do Exército (BPE).

FOTO: LAUREN BERNARDO/TV MASKATE

Na manhã de hoje (8), os pais, familiares, amigos e moradores de Borba, de onde o jovem era natural, se reuniram em frente o Batalhão da PE no São Jorge para protestar.

FOTO: LAUREN BERNARDO/TV MASKATE

 

Com faixas e gritos de “Não foi suicídio. Foi Homicídio. Eles querem abafar” eles reivindicaram justiça e esclarecimentos do que realmente aconteceu com o soldado, após militares relatarem que no dia da morte dele, ouviram um disparo e encontraram a vítima caída, ainda com vida. Jhonatha foi levado para o 28 de agosto, por volta de 3h, segundo o IML, mas não resistiu.

A família afirma que só foi avisada da morte do rapaz às 7h da manhã, quando informaram que o jovem cometeu suicídio.

No entanto para a família, o jovem foi torturado e morto dentro do quartel. Toda a suspeita começou após o tio, com quem Jonatha morava aqui na cidade, ir até o IML para fazer o reconhecimento do cadáver e notar que o corpo do rapaz apresentava marcas de agressão nas costas e cabeça. O tio que deu entrevista a equipe da TV Maskate, afirmou que daí começou as suspeitas.

Após repercussão na mídia o Exército emitiu a seguinte nota: “Será instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) para identificar as causas e as condicionantes deste lamentável episódio. O 7º Batalhão de Polícia do Exército está prestando todo o apoio necessário aos familiares. O Comando Militar da Amazônia lamenta o fato ocorrido e se solidariza com a família neste momento de luto”.

Mas conforme a família, nada disso aconteceu e até agora o celular da vítima não foi devolvido para eles, além deste fato, eles contaram que não receberam nenhum apoio do batalhão e que o translado do corpo de Jonatha para Borba, onde o soldado nasceu, foi custeado pela prefeitura do município.

 

SONHAVA EM SER SOLDADO

De acordo com todos os presentes na manifestação, servir o Exército Brasileiro sempre foi o sonho de vida de Jonatha. “…Ele se sentia honrado em tá vestindo a farda dele. Quando ele falava comigo, ele dizia: ‘Mãe quando eu for embora, que eu tiver de férias, eu vou vestido com minha farda pra todo mundo ver aonde eu tô’. Ele mesmo decidiu e escolheu por conta própria o que queria ser”, revela Kalliane.

Jonatha veio para Manaus em janeiro, para se alistar e servir o Exército, deixou o pai e mãe em Borba, passou a morar de favor na casa dos tios, tudo para realizar o sonho de ser um soldado.