A Polícia Federal apreendeu uma cápsula de arma de fogo que pode ter sido usada no assassinato do casal Anderson Barbosa Monteiro e Vanderlania Araújo, e do filho dela, Matheus Souza, de 16 anos. O objeto pode ajudar a identificar a autoria do homicídio dos ribeirinhos que viviam na região de Nova Olinda do Norte, no interior do Amazonas. Os corpos deles foram encontrado boiando no Rio Abacaxis, região onde dois policiais militares e mais outras seis pessoas também foram mortas nas últimas semanas.

Conforme os peritos, a cápsula foi retirada do corpo de uma das vítimas e foi possível identificar a numeração da bala, com isso a PF vai traçar um perfil e descobrir de qual arma saiu os tiros e quem estava com ela.

 

A PF foi designada pelo MPE para investigar denúncias de abusos por partes dos policiais da SSP-AM durante operação realizada na área após a morte dos policiais militares.

Desde então, mais corpos surgiram. Entre eles está o do indígena Josimar Moraes Lopes, da etnia Munduruku, que foi encontrado no dia 5 deste mês com tiros próximo da comunidade, no rio Mari Mari. O irmão dele está desaparecido. No dia do fato, indígenas da mesma etnia ouviram disparos e em seguida viram uma lancha da Polícia Militar (PM) que inclusive chegaram a fotografar.

“Depois ele (morador) disse que ficou silêncio e aí ele só ouviu já o barulho estranho, tipo jogando objeto dentro do bote. Ele disse que a lancha saiu, seguiu pra um Igarapé chamado Vermelho, pra lá ficaram horas. A lancha da polícia que tava escrito Polícia Militar, perguntaram (a polícia) de um pescador aonde ficava o Rio Abacaxi, ele disse que aqui era área indígena”, contou.

 

Guerra no Rio Abacaxis

A ‘guerra’ no Rio Abacaxis começou após a morte do sargento Manoel Wagner Silva Souza e do cabo Márcio Carlos de Souza no início do mês. Os dois faziam parte de uma equipe de operação que estava na localidade para investigar o ataque no dia 24 de julho contra o secretário executivo do Fundo de Promoção Social do Governo do Amazonas, Salu Moyses da Costa, que levou um tiro no braço enquanto pescava.

Após esses eventos, a Secretária de Segurança Pública enviou mais de 50 agentes para o interior a fim de encontrar e prender os responsáveis. Desde o dia 5, os policiais já realizaram várias operações nas comunidades ribeirinhas e indígenas.

 

Quatro presos

Quatro pessoas foram presas por suspeita de envolvimento do duplo homicídio do sargento e do cabo. Conforme a SSP, um dos presos é presidente de uma associação local e outras três mulheres que são irmãs de Bacurau, o principal suspeito. Ele estaria por trás do duplo homicídio que vitimou o policias no dia 3 deste mês durante uma operação no Rio Abacaxis. As prisões foram em cumprimento a mandado de ordem judicial.

A SSP informou que inquéritos policiais foram abertos pela Polícia Civil (PC) para esclarecer as mortes e que testemunhas podem procurar a delegacia para prestar informações de forma oficial ou, se preferirem, de forma anônima pelo 181.