A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que o esquema criminoso instalado no governo do Rio pretendia angariar quase R$ 400 milhões em quatro anos por meio da contratação de organizações sociais (OS) na área da saúde. Os valores seriam desviados pela cobrança de 5% de propina sobre os acordos.

A estimativa da Procuradoria é de que a contratação das OSs envolvem um montante anual de R$ 2 bilhões. O cálculo se baseia em documento do governo que mostra que a Superintendência de Acompanhamento de Contratos de Gestão (SUPACG) acompanha uma verba mensal de R$ 160.999.451,65, paga às organizações – sem levar em conta gastos extraordinários como os hospitais de campanha.

No documento, consta a divisão do montante destinado às OSs. A maioria delas foi mencionada na delação premiada do ex-secretário de Saúde do Estado, Edmar Santos, no final de junho. Ele foi preso em julho acusado de desviar recursos da saúde do Rio que seriam usados no combate à Covid-19. “As informações trazidas por Edmar Santos sobre contratos específicos, envolvendo determinadas Organizações Sociais, e os diversos elementos de prova já coletados são suficientes para, comparando-se os processos administrativos de contratação, apontar, exemplificativamente, robustos indícios de ilícitos na contratação, a corroborar os fatos narrados pelo colaborador”, escreveu a subprocuradora-geral da República Lindôra Maria Araújo, em representação encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A primeira-dama do Rio de Janeiro, Helena Witzel, também foi denunciada. O escritório de Helena, que tem uma carreira recente e modesta na advocacia e não possui qualquer sócio, está diretamente ligado às denúncias de corrupção na área de saúde do governo do estado. Ela é apontada como laranja do Governardor.