Em junho de 2020, a produção industrial cresceu 8,9% frente a maio de 2020 (série com ajuste sazonal), intensificando a expansão observada no mês anterior (8,2%). Os dois meses seguidos de crescimento eliminaram parte da perda de 26,6% registrada em março e abril, no ponto mais baixo da série.

Em relação a junho de 2019 (série sem ajuste sazonal), a indústria recuou 9,0%, oitavo resultado negativo seguido nessa comparação. Assim, os índices do setor industrial foram negativos tanto para o fechamento do segundo trimestre de 2020 (-19,4%), como para o acumulado do primeiro semestre do ano (-10,9%). Em 12 meses, a queda foi de 5,6%, recuo mais intenso desde dezembro de 2016 (-6,4%). A publicação completa da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) está à direita.

A atividade industrial avançou 8,9% em junho de 2020, com sua maior taxa desde junho de 2018 (12,5%) e mostrando crescimento pelo segundo mês seguido. Mesmo assim, a produção industrial elimina apenas parte da queda de 26,6% acumulada no período março-abril de 2020. No resultado de junho, houve comportamento positivo disseminado, explicado pelo aumento do ritmo produtivo, após o aprofundamento das paralisações ocorridas em diversas plantas industriais, em março e abril, por conta da pandemia da COVID-19.

PRODUÇÃO AVANÇOU EM TODAS AS CATEGORIAS ECONÔMICAS E EM 24 DOS 26 RAMOS

O avanço de 8,9% da atividade industrial de maio para junho de 2020 teve crescimento generalizado, alcançando todas as grandes categorias econômicas e a maior parte (24) dos 26 ramos pesquisados. Entre as atividades, a influência positiva mais relevante foi de veículos automotores, reboques e carrocerias, que avançou 70,0%, impulsionada pelo retorno à produção de unidades paralisadas por causa da pandemia da COVID-19. Com esses resultados, veículos automotores, reboques e carrocerias acumulou alta de 495,2% em dois meses consecutivos de crescimento, mas ainda se encontra 53,7% abaixo do patamar de fevereiro último.

Outras contribuições positivas relevantes sobre o total da indústria vieram de bebidas (19,3%), de indústrias extrativas (5,5%), de produtos de borracha e de material plástico (17,3%), de outros equipamentos de transporte (141,9%), de produtos de minerais não-metálicos (16,6%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (24,4%), de outros produtos químicos (7,1%), de máquinas e equipamentos (10,6%), de produtos de metal (13,1%), de produtos têxteis (34,2%), de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (15,1%), de impressão e reprodução de gravações (63,4%) e de móveis (28,5%).

Por outro lado, os dois resultados negativos do mês foram nos ramos de produtos alimentícios e de coque e em produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, ambos com queda de 1,8%. O primeiro eliminou parte do ganho de 3,6% acumulado nos meses de abril e maio e o segundo voltou a recuar, após expansão de 16,3% em maio último, quando interrompeu três meses de consecutivos de redução na produção e que acumularam perda de 20,1%.

ENTRE AS GRANDES CATEGORIAS ECONÔMICAS

Ainda em relação a maio de 2020, bens de consumo duráveis, ao crescer 82,2%, e bens de capital (13,1%) mostraram as maiores taxas positivas em junho de 2020, com ambos apontando o segundo mês seguido de expansão e acumulando nesse período avanços de 287,4% e 47,3%, respectivamente. Vale citar que, mesmo com esses resultados positivos, esses segmentos ainda se encontram bem abaixo do patamar de fevereiro último: -40,1% e -27,1%, respectivamente.

Os setores produtores de bens de consumo semi e não-duráveis (6,4%) e de bens intermediários (4,9%) também assinalaram taxas positivas em junho de 2020, com ambos avançando abaixo da média da indústria (8,9%), mas marcando o segundo mês consecutivo de crescimento e acumulando nesse período ganhos de 17,7% e 10,7%, respectivamente.

Ainda na série com ajuste sazonal, a média móvel trimestral para o total da indústria caiu1,8% no trimestre encerrado em junho de 2020 frente ao nível do mês anterior, mantendo, dessa forma, a trajetória predominantemente descendente iniciada em outubro de 2019.

INDÚSTRIA RECUOU 9,0% EM RELAÇÃO A JUNHO DE 2019

Na comparação com igual mês de 2019, o setor industrial caiu 9,0% em junho de 2020, com resultados negativos nas quatro grandes categorias econômicas, 21 dos 26 ramos, 55 dos 79 grupos e 62,5% dos 805 produtos pesquisados. Apesar do efeito-calendário positivo – junho de 2020 (21 dias) teve dois dias úteis a mais do que junho de 2019 (19) -, o ritmo da produção industrial permanece menos intenso, ainda influenciado pelos efeitos do isolamento social.

Entre as atividades, a de veículos automotores, reboques e carrocerias (-51,6%) exerceu a influência negativa mais intensa na formação da média da indústria, pressionada, em grande medida, pelos itens automóveis, caminhões, autopeças, caminhão-trator para reboques e semirreboques e veículos para o transporte de mercadorias.

Entre as grandes categorias econômicas, ainda no confronto com igual mês de 2019, bens de consumo duráveis (-35,1%) e bens de capital (-22,2%) assinalaram, em junho de 2020, os recuos mais acentuados. Os setores produtores de bens intermediários (-5,9%) e de bens de consumo semi e não-duráveis (-5,6%) também mostraram taxas negativas nesse mês, mas ambos com quedas menos intensas do que a observada na média nacional (-9,0%). Vale destacar que esses resultados negativos elevados ainda evidenciam o menor ritmo da produção industrial, explicados, em grande parte, pelos efeitos causados pela pandemia da COVID-19.

PRODUÇÃO RECUA 19,4% NO SEGUNDO TRIMESTRE, QUEDA MAIS INTENSA DA SÉRIE

O setor industrial recuou 19,4% no segundo trimestre de 2020 e apontou a queda mais intensa desde o início da série histórica, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, permanecendo com comportamento negativo desde o último trimestre de 2018 (-1,3%).

O aumento na intensidade de perda na passagem do primeiro (-1,6%) para o segundo trimestre de 2020 (-19,4%) foi explicado pela redução de ritmo nas quatro grandes categorias econômicas, com destaque para bens de consumo duráveis (de -6,5% para -64,9%) e bens de capital (de -2,0% para -38,0%), pressionadas, em grande parte, pela menor fabricação de automóveis (de -14,9% para -83,2%) e de eletrodomésticos (de 5,9% para -33,2%), na primeira; e de bens de capital para equipamentos de transporte (de -7,0% para -61,1%) e para fins industriais (de 2,0% para -33,0%), na segunda. Os setores produtores de bens de consumo semi e não-duráveis (de -3,3% para -16,7%) e de bens intermediários (de -0,1% para -12,7%) também assinalaram perda  entre os dois períodos.

ACUMULADO DO ANO

A frente a igual período do ano anterior, o setor industrial caiu 10,9%, com resultados negativos em quatro das quatro grandes categorias econômicas, 21 dos 26 ramos, 65 dos 79 grupos e 75,3% dos 805 produtos pesquisados. Entre as atividades, veículos automotores, reboques e carrocerias (-43,6%) exerceu a maior influência negativa na formação da média da indústria, pressionada, em grande medida, pelos itens automóveis, caminhões, caminhão-trator para reboques e semirreboques, autopeças e veículos para transporte de mercadorias.

Vale destacar ainda as contribuições negativas de metalurgia (-15,8%), máquinas e equipamentos (-16,7%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-36,6%), couro, artigos para viagem e calçados (-33,7%), produtos de minerais não-metálicos (-13,7%), produtos de borracha e de material plástico (-12,7%), bebidas (-11,9%), outros equipamentos de transporte (-36,1%), produtos de metal (-11,9%), outros produtos químicos (-6,1%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-15,5%), produtos têxteis (-22,0%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-13,6%) e indústrias extrativas (-2,8%). Por outro lado, entre as cinco atividades que apontaram ampliação na produção, as principais influências no total da indústria foram registradas por produtos alimentícios (3,7%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,7%).

Entre as grandes categorias econômicas, os resultados do primeiro semestre de 2020 mostraram menor ritmo para bens de consumo duráveis (-36,8%) e bens de capital (-21,2%), pressionadas, em grande parte, pela redução na fabricação de automóveis (-51,4%) e eletrodomésticos (-13,5%), na primeira; e de bens de capital para equipamentos de transporte (-36,2%) e para fins industriais (-16,3%), na segunda. Os setores produtores de bens de consumo semi e não-duráveis (-10,3%) e de bens intermediários (-6,6%) também assinalaram taxas negativas no índice acumulado no ano, mas ambos com quedas menos acentuadas do que a observada na média nacional (-10,9%).