Na última vez em que um time local esteve na Série C, a capital amazonense ainda não havia sido anunciada como cidade-sede da Copa do Mundo de 2014. O estádio Vivaldo Lima, o colosso do Norte, ainda estava de pé e o Manaus Futebol Clube sequer existia. A última vez que um representante do Estado jogou a terceira divisão, a própria Série D nunca havia sido disputada.

 

A primeira edição aconteceu no ano seguinte, em 2009 e foi o início de um verdadeiro calvário de lágrimas e frustrações para o torcedor baré, até que o sofrimento acabou em 20 de julho de 2019. Neste dia, o Gavião do Norte, o time novo da cidade, fundado em 2013, impôs uma das maiores vitórias da história do futebol amazonense, ao golear o Caxias (RS), por 3X0, num estádio de Copa do Mundo, completamente lotado.

Fazer história, aliás, se tornou comum para o esmeraldino e neste sábado, 8/8, é dia de escrever mais um capítulo, agora, diante do Vila Nova (GO), às 18h, na Arena da Amazônia.

Pronto para fazer história, MANAUSFC quebra jejum de 12 anos do Amazonas longe da Série C

O cenário não poderia ser mais adverso. Portões fechados por conta da pandemia causada pelo novo coronavírus. Tempo curto para a preparação – o Gavião não teve sequer um mês de treino para voltar aos jogos. Antes do confronto deste sábado, a equipe só fez dois jogos-treino: um contra o time misto do Fast Clube, que terminou num empate em 3X3, e outro que rendeu uma vitória por 8X0, diante do Betânia FC.

“Tudo que nós havíamos programado para fazer, a partir do dia 13 (de julho, data que o clube retornou aos treinos) nós conseguimos realizar com excelência. A gente sabe que não é o tempo ideal, no mínimo 45 dias seria o período ideal de uma pré-temporada, mas dentro do que a gente sabia, da nossa realidade, que seriam quatro semanas, o trabalho foi muito bem feito. A gente está na frente na questão de entrosamento, na parte tática inserida há muito tempo neste um ano e meio de trabalho, mas podemos ter alguma uma dificuldade na parte física, mas estou otimista e acho que vamos fazer um bom jogo”, avalia o técnico Welington Fajardo.

 

Contratações

Apesar do cenário conturbado por conta da pandemia, o esmeraldino conseguiu manter o elenco e ainda fez contratações para a disputa do Brasileirão da Série C. O clube trouxe os atacantes Alison Mira, Matheusinho e Jandy, além do volante Rafael Carrilho. O goleiro Bruno Saul, que foi vice-campeão brasileiro com o Gavião no ano passado, também foi repatriado. Apesar dos reforços, o esmeraldino teve três baixas para o jogo deste sábado: os volantes Derlan (suspenso), Panda (contundido) e Gilson (contundido).

Pronto para fazer história, MANAUSFC quebra jejum de 12 anos do Amazonas longe da Série C

“A única coisa que a gente não esperava neste momento era essa dificuldade com os volantes. Teve a questão da suspensão do Derlan, logo em seguida teve a contusão do Gilson e depois a contusão do Panda. São perdas no coração da equipe e agora a gente está estudando a melhor forma de montar o time e temos três opções: o Felipe Baiano, o Rafael Carrilho e o Ramon. Aquele setor ali é o coração do time. É onde comanda tanto o setor defensivo quanto o ofensivo, onde se dão as transições tanto ofensivas quanto defensivas e neste momento a gente tem que ter uma equipe bem equilibrada até para fazer uma grande partida”, pontua Fajardo.

 

O sonho

 

Pronto para fazer história, MANAUSFC quebra jejum de 12 anos do Amazonas longe da Série C

 

Nascido no ano de 2013, o Manaus Futebol Clube chega à Série C sete anos após a sua fundação. Um marco no futebol local, que não via uma equipe subir de divisão dentro de campo há 20 anos. Personagens dessa história, o presidente e o vice-presidente do esmeraldino, Luis Mitoso e Giovanni Silva falam sobre o “filme” que passa pela cabeça há poucas horas da estreia do clube na “terceirona”. “É um sentimento de dever cumprido. No ano passado, quando a gente conseguiu o acesso ali naquele jogo memorável contra o Caxias, com a Arena lotada, onde a gente conseguiu um placar convincente de 3 a 0… naquele momento onde a gente buscava pelo segundo ano consecutivo uma vaga na Série C, e esse acesso foi importante porque há 12 anos um clube daqui não jogava a Série C. Aquele momento foi a prova de que a união faz a força. Foi um trabalho não só dos dirigentes do MANAUSFC, com jogadores e comissão técnica. Todos se envolveram desde a imprensa, os nossos apoiadores e patrocinadores e por fim os torcedores que deram aquele espetáculo na arena”, relata Giovanni Silva.

 

O presidente do MANAUSFC, Luis Mitoso comenta sobre a alegria que o Gavião do Norte trouxe ao torcedor amazonense. “Foram anos e anos de sofrimento, decepções com as campanhas de vários clubes locais. Foi difícil… a própria história do MANAUSFC nesta Série D foi bem complicada na parte financeira. Mas o povo abraçou o Gavião e quando isso acontece não tem jeito! Subimos de divisão, mas continuamos sonhando ainda mais alto, quem sabe, encerrando a temporada com o tão sonhado acesso para a Série B. Quando a gente trabalha duro, quando a gente bota Deus na frente o impossível não existe. A torcida do MANAUSFC pode ter certeza que vai ter muita luta e se Deus quiser seremos abençoados com este acesso”, finaliza Mitoso.

 

Com informações da Comunicação Manaus FC