Quando, da praia, vemos um veleiro afastar-se da costa, navegando mar adentro, presenciamos um espectáculo de rara beleza: o barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul, e nos parece cada vez menor. Não demora muito, e só conseguimos ver um pequeno ponto branco na linha remota onde o mar e o céu se encontram.

Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclama: “desapareceu”, “se foi”, e retoma as suas atividades normais.
Terá sumido? Não, é claro! Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com as mesmas características que tinha quando estava próximo de nós, capaz de levar ao porto de destino as pessoas e as cargas recebidas. Logo mais, além, haverá vozes a exclamar: “lá vem um veleiro”. E, ele se aproxima, aumentando de tamanho, até chegar ao Porto de destino, que logo vai se transformar num porto de partida.

Assim é a morte!
As pessoas não morrem.
Apenas passam para o outro lado do caminho. Continuam as mesmas, só que vivendo no mundo do Criador, enquanto nós ficamos (não se sabe até quando) vivendo no mundo das criaturas.

Nossos mortos estão alegres e felizes hoje (e sempre), no reino de Deus-pai.
Então, nada de ar ou tom solene, nostálgico ou triste. Relembremos deles, e os festejemos com alegria, neste data a eles dedicado, na certeza de que mais dias, menos dias, nos encontraremos.

Esta metáfora se extrai do poema “A Morte Não é Nada”; uma belíssima antevisão desse intrigante fenômeno metafísico, que nos legou a verve de São Tomás de Aquino, frade católico medieval, poeta, escritor, teólogo e filósofo dos mais eméritos, conhecido como “Doctor Angelicus”, a seguir transcrito:

“A morte Não é Nada.”

“A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.

Me dêem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho…

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.”

Um alegre e feliz “Dia de Finados”, a todas e a todos!