O preço do óleo diesel nos postos brasileiros registrou uma alta superior a 7% na primeira quinzena de março de 2026. Esse movimento é impulsionado pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que elevou tanto a cotação internacional do petróleo quanto o valor do dólar. Como o transporte rodoviário é o pilar logístico do país, o governo federal e o Cade intensificaram o monitoramento sobre distribuidoras e postos para coibir repasses abusivos que possam acelerar a inflação.
Em Manaus, o impacto desse reajuste é amplificado pela dependência de uma logística multimodal que integra rios e estradas. A capital amazonense enfrenta o chamado “custo amazônico”, onde a geografia impõe que a maioria dos produtos da cesta básica percorra longas distâncias antes de chegar ao consumidor. Nesses trajetos, o diesel é o insumo vital tanto para as grandes embarcações quanto para os caminhões de distribuição, tornando qualquer aumento no combustível um fator crítico para a economia local.
A cadeia de suprimentos manauara sofre uma pressão em duas frentes: primeiro, no transporte fluvial de longa distância, onde balsas consomem volumes massivos de combustível para trazer insumos de outros estados; e, em seguida, na distribuição urbana, feita integralmente por caminhões que levam as mercadorias dos portos até as gôndolas. Esse modelo de “último passo” rodoviário garante que a alta nas bombas seja sentida de forma imediata e direta no preço final de itens essenciais, como o arroz e o feijão.
Diferente de outras regiões do Brasil que contam com malhas ferroviárias, Manaus opera em um isolamento logístico onde o diesel atua como um “imposto invisível” em cada etapa: do frete fluvial à operação mecanizada nos portos. Essa acumulação de custos faz com que um reajuste de 7% nas refinarias possa gerar uma inflação de até 15% em produtos perecíveis nas prateleiras locais. Como as margens de lucro dos pequenos varejistas são estreitas, o ônus acaba sendo repassado quase integralmente ao bolso do cidadão amazonense.









