A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) prendeu o cabo da Polícia Militar (PM-AM) Rayson Rodrigo Batista de Sá, de 36 anos, sob a acusação de gerenciar um esquema de exploração sexual no bairro Petrópolis, na Zona Sul de Manaus. A investigação aponta que o agente utilizava uma casa alugada em seu nome para manter adolescentes de 15 e 17 anos, trazidas do município de Itacoatiara sob falsas promessas de emprego. O caso foi descoberto após uma Organização Não Governamental (ONG) denunciar o paradeiro de uma das jovens à Ronda Maria da Penha, já que ela constava como desaparecida desde o início de junho.
No imóvel, que funcionava de forma clandestina há cerca de um ano, Rayson Rodrigo Batista de Sá controlava a rotina das vítimas por meio de câmeras de segurança interna e combinava os encontros por aplicativos de mensagens. De acordo com as investigações da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), os programas eram vendidos pelo valor de R$ 150, dos quais o militar retinha R$ 60 e repassava o restante para as jovens. Os pagamentos eram centralizados diretamente na conta bancária do investigado via Pix ou recolhidos em espécie.
Os depoimentos colhidos indicam que as adolescentes eram coagidas a realizar os atendimentos para quitar falsas dívidas de moradia e alimentação acumuladas na capital. Moradores da região sabiam do funcionamento do local, mas evitavam formalizar denúncias por receio de sofrerem retaliações, já que o administrador do espaço era um integrante das forças de segurança. Durante a operação de busca no endereço, a equipe policial apreendeu cadernos com anotações financeiras e a contabilidade do esquema gerenciado pelo cabo.
O homem, que atuava no setor administrativo do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap), foi afastado de suas funções e responderá criminalmente por favorecimento à prostituição e rufianismo. Paralelamente, a corporação instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que pode resultar na expulsão definitiva do agente em até 180 dias. A PC-AM mantém as investigações abertas com o objetivo de identificar e responsabilizar os clientes que frequentavam o estabelecimento.









