No dia 12 de junho de 2000, Dia dos Namorado, à s 14h20, Sandro Barbosa do Nascimento, 21 anos, entrou no ônibus armado com um revólver calibre 38. Ao ser percebido por passageiros e interceptado pela polícia, tomou dez pessoas como reféns. O motorista e o cobrador fugiram.
O único homem entre os reféns, Willians de Moura, estudante de administração, foi liberado logo no início. Os que ficaram eram todos mulheres. O que se seguiu foram quase cinco horas de terror transmitidas ao vivo para o Brasil inteiro. Sandro encostou a arma na cabeça de cada uma das reféns.
Colocou o revólver na boca de Damiana enquanto ameaçava matá-la. Em um dos momentos mais perturbadores, cobriu a cabeça de Janaína Neves com um lençol, disse que contaria até cem e que ao chegar no fim a executaria. Contou pulando os números. Ao chegar em cem, forçou a refém a se abaixar e fingiu dar um tiro na cabeça dela. Em seguida gritou para a polícia do lado de fora: “delegado, já morreu uma, vai morrer outra”. Sandro obrigou Janaína a escrever nas janelas com batom: “Ele vai matar geral às seis horas” e “ele tem pacto com o diabo”.
As frases correram ao vivo em todas as emissoras. O Brasil assistia sem conseguir desligar. Damiana sofreu um AVC dentro do ônibus durante o sequestro. Demorou seis anos para voltar a andar e a falar. Quando foi liberada por Sandro, ela disse anos depois: “Vivo um dia após o outro. Não recebi nada do Estado até hoje, nem uma aspirina.”
Às 18h50, Sandro desceu do ônibus abraçado a Geísa, grávida de dois meses, apontando a arma para ela. O soldado Marcelo Oliveira dos Santos, do BOPE, avançou com um fuzil e atirou – acertando Geísa de raspão no queixo. Sandro e ela caíram no asfalto. O criminoso então disparou três vezes contra a professora. Ela morreu ali, na rua, na frente das câmeras.
O desfecho teve mais uma injustiça. Carlos Leite Faria, um dos reféns liberados por Sandro, desceu pela janela do ônibus e foi preso pelos policiais sob acusação de ser comparsa do sequestrador. Ele carregava dois relógios — um no pulso e outro no bolso, da filha, que levava para conserto. Na visão da polícia, isso era suspeito. Ficou preso, foi inocentado anos depois e recebeu indenização por danos morais.
Sandro foi capturado e jogado no camburão da polícia, onde morreu asfixiado. Os cinco PMs que o acompanharam foram julgados e absolvidos. Geísa foi enterrada em Fortaleza com mais de 3 mil pessoas presentes. Virou nome de escola.Sandro foi enterrado como indigente, em cova rasa, com a presença apenas de uma tia.









