Começou de novo
Nem bem o apito inicial da corrida eleitoral ecoou pelos igarapés da política amazonense, e já surgem doses cavalares de pesquisas, análises, projeções, cenários, gráficos coloridos e interpretações para todos os gostos. Cada blog, portal, portão ou puxadinho digital aparece com sua própria encomenda da realidade.

Uns vendem esperança
Outros comercializam favoritismo. Alguns oferecem previsões embaladas em números. E há aqueles que transformam desejo em estatística com uma criatividade que faria inveja aos antigos vendedores de elixir milagroso. Por essas e outras que o Mourão do Maskate proíbe a publicação de pesquisas, mesmo sendo pagas para a veiculação.

Fala sério, mermão…
É preciso uma dose generosa de fé (fede mais?) para navegar nesse oceano de percentuais sem desconfiar que, em algum lugar, existe mais fumaça do que fogo. A cada pesquisa divulgada, aparecem especialistas instantâneos, estrategistas de ocasião e torcidas organizadas explicando por que o resultado confirma exatamente aquilo que já pensavam antes mesmo da pesquisa existir.

O curioso é que…
A largada parece sempre nova, mas acontece desde antigamente. Mudam os personagens, mudam as ferramentas, mudam os institutos, mas permanece a tentativa permanente de convencer o eleitor de que a corrida já está decidida antes mesmo de o povo chegar à pista.

O Império da Plata?
Só que eleição não deveria ser campeonato de quem tem mais dinheiro para produzir narrativas. Nem concurso de ilusionismo para descobrir quem consegue transformar desejo em realidade pela força da repetição.
A verdadeira pesquisa continua sendo aquela realizada na consciência de cada eleitor.
Ali não existe margem de erro estatístico.Ali não existe contratação de consultoria. Ali não existe edição favorável.

Existe apenas a pergunta mais simples…
E a mais difícil de todas: quem apresentou resultados? Quem possui proposta? Quem tem história compatível com o discurso que apresenta? Quem será capaz de responder pelos compromissos assumidos depois que os holofotes forem desligados?

Porque, no final das contas…
Nenhuma urna registra votos de institutos, de blogueiros, de marqueteiros ou de comentaristas profissionais. Quem vota é o cidadão. E cada voto funciona como uma assinatura invisível colocada ao lado do nome escolhido.

Durante quatro anos, aquela digital continuará ali
É por isso que a eleição deveria ser menos um exercício de torcida e mais um exercício de responsabilidade.

Está entendendo, Zebedeu ou quer que a gente desenhe?
Porque depois da apuração, quando os números das pesquisas viram arquivo e as promessas voltam para as gavetas da memória, sobra apenas uma verdade difícil de contestar: boa parte do futuro que nos espera terá as impressões digitais de quem nós mesmos escolhemos, certo mesmo fazia o Durango.









