FRAUDE DAS AMERICANAS
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25) a 2ª fase da Operação Disclosure. A ação mira acionistas de referência da Americanas e executivos de bancos. Agentes cumprem 9 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo. A Justiça determinou o bloqueio de bens de até R$ 54 bilhões. Entre os alvos estão Carlos Alberto da Veiga Sicupira e Paulo Alberto Lemann. Também são alvos executivos de Itaú, Bradesco e Santander.
A investigação aponta fraudes contábeis para inflar artificialmente resultados e ocultar dívidas. Há indícios de manipulação de mercado e associação criminosa. Revelada em janeiro de 2023, a fraude pode chegar a R$ 54 bilhões. Em março de 2025, o Ministério Público Federal denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários.

Induzidos ao escândalo
A Polícia Federal (PF) incluiu acionistas de referência da Americanas e executivos de grandes bancos entre os alvos de busca e apreensão da 2ª fase da Operação Disclosure, deflagrada nesta quinta-feira (25), com apoio do Ministério Público Federal (MPF).
Entre os alvos estão: os acionistas de referência Carlos Alberto da Veiga Sicupira e Paulo Alberto Lemann; além de Eduardo Saggioro Garcia, apontado como operador direto dos sócios. Também são alvo da operação executivos ligados a instituições financeiras que mantinham relação com a companhia, segundo as investigações. São eles: José de Castro Araújo Rudge Júnior e Gustavo Balassiano, executivos do Itaú Unibanco; Carlos Henrique Villela Pedras, do Bradesco; e André Juaçaba de Almeida e Alexandre Lian Abdo, do Santander.

Principal alvo
Paulo Alberto Lemann, acionista da Americanas e um dos alvos, é filho de Jorge Paulo Lemann, economista e empresário que não é alvo da operação desta quinta. Os acionistas de referência afirmaram, em nota, que foram surpreendidos pela operação da Polícia Federal e sustentam que tanto eles quanto o Conselho de Administração foram enganados e induzidos ao erro pela antiga diretoria da empresa, com base nas investigações conduzidas ao longo dos últimos anos.
Eles dizem que a ação faz parte do curso normal das apurações e reiteram que vêm colaborando com as autoridades desde que tiveram conhecimento das fraudes, em janeiro de 2023. As defesas também informaram que ainda não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial e aguardam mais informações para eventual manifestação. O Bradesco, por sua vez, informou que acompanha a situação e está à disposição das autoridades.

Ativamente colaborando
Já o Itaú afirmou que embora não seja investigado, “colabora ativamente” com as autoridades desde 2023, prestando todas as informações sobre o caso. “O banco, que sofreu perdas bilionárias com o episódio, já comprovou a lisura de sua conduta e da atuação de seus funcionários por meio de documentos apresentados à Justiça. Os registros deixam claro, por exemplo, que o Itaú recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços”, afirmou o Itaú, em nota.
“A instituição reitera que sempre atuou com rigor ético e regulatório, apoiando e confiando no trabalho das autoridades para a elucidação definitiva das irregularidades praticadas pela antiga administração da varejista”, prosseguiu.

Pulou fora
A Americanas informou que não foi alvo de operação nesta quinta. Em nota, a companhia disse que a ação se refere às fraudes contábeis reveladas em 2023. “A Americanas informa que não foi alvo de mandados de busca nesta manhã e que a Operação Disclosure realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal se refere à fraude revelada em 2023. A Companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos”, afirmou.
Agentes cumprem nove mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro também determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a R$ 54 bilhões.

Conhecimento prévio
Desta vez, a força-tarefa busca esclarecer se esses integrantes tiveram algum nível de participação ou conhecimento do esquema de fraude contábil que levou à crise da varejista. Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, a investigação aponta que ex-executivos da Americanas montaram um esquema para inflar artificialmente os resultados financeiros da empresa, ocultando dívidas e manipulando balanços para melhorar a percepção do mercado.
De acordo com os investigadores, haveria indícios de que parte dos envolvidos tinha conhecimento prévio das irregularidades, que se estenderiam por vários anos.
“Os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico”, informou a PF. “As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa”, acrescentou. A fraude contábil da Americanas veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando a empresa revelou inconsistências iniciais de cerca de R$ 20 bilhões — o que levou a empresa a pedir recuperação judicial.








