Convidado do Programa Conselheiros Master, do Instituto Euvaldo Lodi (IEL Amazonas) na quarta-feira, 10, o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Serafim Corrêa, falou sobre suas experiências para uma plateia formada, sobretudo, por empreendedores e profissionais da panificação, no SESI Clube do Trabalhador do Amazonas.
“Agradeço o convite e a todos os presentes, porque na vida você não aprende só ouvindo, você aprende conversando, dialogando, vivendo experiências do outro e absorvendo os erros e acertos dos outros, e os seus próprios, para ver um caminho melhor. Muito obrigado por poder contribuir neste evento”, inicia Corrêa.
Quem é Serafim Corrêa e como foi sua infância
O professor, advogado tributarista, economista e político Serafim Fernandes Corrêa, 77, é filho dos portugueses Safira Fernandes e Joaquim Francisco Corrêa, que vieram para o Brasil dois anos após a vinda dos avós, em 1925, para fazer a fachada do Hospital Santa Casa de Misericórdia, como contratados de JG Araújo, comendador e um dos barões da borracha. Seus pais chegaram ao Brasil em 1927 e casaram-se em 1946.Serafim nasceu no ano seguinte.
“Eu tive uma infância muito boa. Pensem numa Manaus sem energia elétrica, imaginem, hoje, Manaus sem energia elétrica a tragédia que seria! Pegamos os rescaldos do fim da guerra da borracha, mas eu vivi a minha infância muito diferente, não tinha celular, você criava bichos regionais em casa, era obrigação em todas as casas ter um papagaio e ter um jabuti, pelo menos”, relembra.
Do tributário à carreira política
Ao falar de sua carreira profissional, Serafim Corrêa explica que sua história de vida é um tanto quanto complicada, com umas viradas de chave interessante. Iniciou sua história acadêmica na escola Barão do Rio Branco, passando pelo Colégio Dom Bosco, onde fez o ginasial e o técnico científico, e o técnico em Contabilidade no Colégio Comercial Brasileiro.
Em 1975 realizou o sonho de estudar em São Paulo, retornando para Manaus em 1976, pois, segundo ele, a saudade bateu mais alto. Ao retornar, preparou-se para o vestibular da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), onde cursou Economia. Após finalizar a graduação, prestou concurso público para a Receita Federal, para assumir o cargo de auditor fiscal, que na época, comenta ele, recebia como salário o valor de um fusca, carro mais cobiçado da época.
“O fusca, que era o sonho de toda a classe média brasileira, pode-se dizer assim, custava CR$ 17 mil cruzeiros (não lembro qual era a moeda da época), o salário que estava no edital do concurso era de mesmo valor, pensava até que estava errado, com o salário de um mês, comprar um carro era um sonho”, disse ele.
Corrêa explica que em 400 vagas de auditor fiscal para todo o país, ele ficou na classificação 296. Após nomeação ao cargo público, em Boa Vista (RR), onde exerceu a profissão, passou por diversos cargos possíveis a serem galgados na Receita Federal, foi à Brasília para realizar um curso que, segundo ele, dava o diagnóstico de perfil de gerente ou assistente administrativo. “Não me encaixei em nenhum, mas com o resultado, a autoescola me disse que poderia largar o cargo de auditor fiscal e ser político, pois eu era político nato”, disse ele.
“Anos depois houve a abertura política e eu refleti muito sobre o que ela tinha dito, e eu não precisava pedir demissão da Receita, eu tinha que ser candidato, se eu fosse eleito, eu teria que pedir licença da Receita. Nessas condições, eu não perderia nada que eu já tinha conquistado. E assim iniciei a vida política”, explica Corrêa.
Em 1985 foi candidato a vice-prefeito de Manaus, na chapa liderada por Artur Neto, em 88 foi eleito vereador, em seguida, secretário de finanças, em 92 foi reeleito vereador, em 96 foi candidato a prefeito, indo para o 2º turno, e em 2005 a 2009, foi eleito prefeito de Manaus.
“Então, digo isso, tive duas viradas de chave na minha carreira, 1º foi quando sai de pequeno empresário para ser auditor da Receita, e a 2ª, quando eu saí de auditor da Receita para ser político”, finaliza.
Prefeitura de Manaus
Segundo o secretário, um dos seus maiores desafios enfrentados, até hoje, foi ser prefeito de Manaus (Entre 2005 e 2009). “Você não consegue dormir antes da meia-noite e nem acordar depois das 4h, pois muitas coisas acontecem entre esses horários. Eu não imaginava que a coisa era tão complicada”, disse ele. Corrêa completou que além dos problemas diários, ainda existem outros muito maiores, e que ele pegou quando assumiu a prefeitura.
“A prefeitura tem muito dinheiro: é o que todos pensam e eu pensava também. Assumi a Prefeitura, com um recurso de R$ 25 milhões para atender mais de 2 milhões de habitantes, sendo necessário, um recurso no mínimo de R$ 500 milhões para atender a todas as necessidades. Foi aí que começaram os desafios”, explicou o secretário.
Corrêa explorou cinco dos principais problemas a serem resolvidos na época: água, problemas com a concessionária; iluminação pública e as cobranças de taxas desordenadas feitas pela concessionária; transporte público e o fornecimento de frotas inadequadas; destinação dos lixos e investimento em obras de artes na cidade, que contribuíssem para um melhor fluxo, sendo necessário rasgar ruas para meter canos. “Desafios dolorosos, 400 quilômetros de rua rasgada, tinha que ter buracos, ou rasga a rua e mete o cano ou não se faz nada e diz que a culpa é do outro”, disse.
Dica aos microempresários
Ao finalizar sua participação no evento, Corrêa falou sobre a importância da união dos microempreendedores. “O lucro não está na venda, está na compra. Se 50 panificadores se juntarem para comprar 50 sacas de cimento, em vez de apenas um comprando, essas sacas irão sair a um valor bem mais baixo. E, assim, terão condições de competir”, disse o secretário.
Programa Conselheiros Master
O programa Conselheiros Master é promovido pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL Amazonas) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae Amazonas), que retornou em junho, com a participação do vice-presidente da FIEAM, Nelson Azevedo, que se fez presente na homenagem realizada ao secretário Serafim Corrêa.
Semana de Panificação e Confeitaria
A Semana da Panificação foi organizada pelo Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Amazonas (Sindpam), com duração de três dias, e contou com o apoio do Sistema Indústria (FIEAM, SESI, SENAI e IEL), patrocínio da Real Equipamentos e Trigolar. O evento contou com a participação da presidente do Sindpam, Zeina Russo, e da superintendente do IEL, Andrea Guerra, que conduziu o bate-papo com o secretário Serafim Corrêa.











