O Amazonas aparece entre os estados com pior desempenho do país em duas áreas diretamente ligadas à atuação do governo estadual. O Ranking de Competitividade dos Estados 2025 coloca o Amazonas na 24ª posição em Educação e aparece na última colocação nacional em Infraestrutura, no 27ª lugar. Os indicadores fazem parte do estudo elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), que avalia 100 indicadores distribuídos em dez pilares da gestão pública.
O resultado contribuiu para que o Amazonas caísse seis posições no ranking geral, passando do 11º em 2024, para o 17º lugar em 2025, quando os dados foram publicados. Na educação, o novo levantamento se soma a outro dado recente que colocou o estado no fim da lista das médias do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A média foi de 505,3 pontos, ocupando o 27º lugar no país. Segundo o levantamento do CLP, o estado ainda enfrenta baixa taxa de frequência escolar e alta distorção idade-série, quando o estudante está em uma série diferente da esperada para sua idade.
Uma fiscalização do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), realizada entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 na Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc-AM), encontrou um prejuízo estimado em R$ 1,117 bilhão na educação do estado. De acordo com o Tribunal de Contas, a gestão de Wilson Lima (União) está envolvida em irregularidades de contratos, pagamentos, merenda escolar e transporte de alunos.Segundo os auditores, mais de R$ 1,059 bilhão foram pagos a empresas cuja existência física não foi comprovada durante a fiscalização.
O relatório também aponta divergências superiores a R$ 100 milhões no controle da merenda escolar, pagamentos sem contrato e falhas na execução do transporte de estudantes. Até o momento, o ex-governador Wilson Lima (União Brasil) e o atual governador Roberto Cidade (União Brasil) não se manifestaram publicamente sobre as conclusões da auditoria.Se na educação o Amazonas acumula indicadores negativos, na infraestrutura o cenário é ainda mais crítico.
O estado aparece na 27ª e última colocação do ranking, mantendo uma crise histórica na logística e mobilidade. A infraestrutura é o segundo pilar de maior peso na composição do ranking do Centro de Liderança Pública, respondendo por 12,4% da nota final, atrás apenas de Segurança Pública (12,7%). No caso do Amazonas, o resultado é fortemente influenciado pela situação das rodovias. O estado possui a pior conservação rodoviária do país. Dentre os 1.030 quilômetros avaliados pela entidade, apenas 1% foi classificado em condição “ótima”, enquanto o restante apresenta diferentes níveis de deterioração.
A pesquisa analisou seis dos principais corredores viários do estado: BR-174, que liga Manaus a Boa Vista (RR); BR-319, única ligação terrestre entre Manaus e o restante do país; BR-230 (Transamazônica); BR-317, além das rodovias estaduais AM-010, que conecta Manaus aos municípios de Rio Preto da Eva e Itacoatiara, e AM-070, principal acesso a Iranduba, Manacapuru e Novo Airão.











