O aviso do dono do terreno
Eu e minha namorada decidimos acampar às margens de um lago no interior. Queríamos passar um fim de semana longe da cidade, sem barulho, sem internet e sem movimento. O lugar era isolado de verdade. Não havia casas por perto, sinal de celular ou qualquer vestígio de civilização. Havia apenas mata fechada e a água escura do lago.
Quando avisamos ao dono do terreno onde pretendíamos montar a barraca, ele nos lançou um olhar estranho. Em seguida, ficou em silêncio por alguns segundos e perguntou:
— Vocês vão dormir perto da água?
Respondemos que sim e demos risada. No entanto, ele apenas balançou a cabeça e disse:
— Se ouvirem alguém chamando ou rindo de madrugada… não olhem.
Naquele momento, encaramos aquilo como uma história para assustar turistas. Mesmo assim, suas palavras ficaram na minha cabeça.
As risadas na madrugada
Montamos a barraca, acendemos uma fogueira e passamos a noite admirando o reflexo da lua sobre o lago. Além disso, conversamos por horas observando a paisagem. O silêncio era tão intenso que chegava a causar desconforto.
Por volta das duas da madrugada, acordei com um som estranho.
Parecia a risada de uma criança.
Baixa. Distante.
Inicialmente, achei que estivesse sonhando. Porém, minha namorada sentou-se imediatamente dentro da barraca e perguntou:
— Você ouviu isso também?
Logo depois, a risada ecoou novamente.
Dessa vez, parecia vir da margem do lago.
Então saímos devagar para verificar. A fogueira já estava quase apagada e a única luz vinha da lua refletida na água escura.
Algo observava do lago
De repente, ouvimos várias risadas ao mesmo tempo.
Eram vozes infantis. Além disso, pareciam crianças brincando, correndo e espirrando água umas nas outras.
Mas não havia ninguém ali.
O lago estava completamente vazio.
Mesmo assim, conseguíamos ouvir passos na água rasa, respingos e gargalhadas se movendo de um lado para o outro.
Foi então que vimos algo surgir no meio do lago.
Primeiro apareceu uma cabeça.
Depois surgiu outra.
Em seguida, mais uma.
Logo eram quatro.
Todas permaneciam imóveis. Além disso, todas olhavam diretamente para nós.
A fuga desesperada
De repente, as risadas cessaram.
Então o silêncio tomou conta do lugar.
Sem desviar o olhar, uma das criaturas começou a avançar lentamente em nossa direção. No entanto, ela não fazia qualquer ruído.
Não produzia ondas.
Nem provocava respingos.
Por isso, o pânico tomou conta de nós.
Segurei minha namorada pelo braço e corremos em direção ao carro. Enquanto isso, deixamos barraca, mochilas e comida para trás.
Quando consegui ligar o veículo, olhei pela última vez para o lago.
Por fim, vi várias pequenas silhuetas paradas na margem onde estávamos sentados minutos antes.
E, até hoje, juro pela minha vida: enquanto nos afastávamos pela estrada escura, ainda conseguíamos ouvir aquelas crianças rindo atrás de nós.






