É claro que não dava, simplesmente, para sacudir rumo ao processo de um modelo que tinha então cinco décadas de conquistas a contar, provavelmente o único projeto de se perpetuar no poder no estado e, agora no federal que deu certo, apesar de constantes manifestações de outros interessados em participar do seleto grupo de sindicalistas patronais e agora familiares colocados na direção da FECOMERCIO Am a forjar mecanismos que comprometem a imagem de seriedade do modelo. Por isso o empresário José Roberto Tadros – atual presidente da poderosa CNC, tratou de enfronhar na direção do órgão de classe, seu primogênito como primeiro vice-presidente.

Criando teia de aranha
Com conhecimento e organização da autarquia, afinal ele ocupa a presidência quase tanto quanto tem a ZFM de existência, a despeito da ira, pressão amena e ameaças serenas de quem quer participar da sinecura. São os que tiveram que engolir a imposição do Pai para o Filho por conta do estatuto da organização, visto que o dirigente anterior foi colocado nessa mesma condição de vice.

Capitania Hereditária
A posse foi feita na semana passada, quase que na calada da noite, com a presença do seleto grupo de dirigentes; restou um grande conhecimento da mecânica institucional, que hoje o José Roberto Tadros usa a bel prazer, para cumprir com décadas de atraso sua missão. Um belíssimo exemplo para a classe política que tantos a Livre Iniciativa critica.

FECOMERCIO E CNC – Pode isso, Arnaldo?
Pode sim, pode acumular. Como funciona na prática: 1. A Fecomércio Amazonas é uma federação estadual e o presidente é eleito pelos sindicatos do comércio do AM. 2. CNC – Confederação Nacional do Comércio é a “mãe” – nos dois sentidos, das Fecomércios de todo Brasil. O presidente da CNC também é eleito, geralmente entre os presidentes das Fecomércios estaduais. 3. A regra do jogo: o estatuto da CNC historicamente permite que o presidente da CNC seja também presidente de uma Fecomércio estadual. Na verdade, é até comum. Muitos presidentes da CNC vieram/ficaram como presidentes das federações de seus estados algo tipo as Capitanias Hereditárias lusitanas.

Base política
Tudo isso ocorre, porque pra chegar na CNC, o presidente Tadros mantém uma base política própria no Amazonas. E manter o cargo no estado ajuda a segurar essa base. Assim fez com o decano Aderson Frota e agora com seu filho Roberto Tadros. O “porém” do veneno puro para a oposição que não tem “baidotes” – referência árabe aos testículos humanos, para se manifestar e na prática é acúmulo de poder, viagem, influência e verba para os dirigentes dos seus sindicatos. Uma bunda na cadeira do AM e outra em Brasília e Rio de Janeiro.

Enquanto isso…
o comerciante da esquina e os grandes varejistas continuam pagando impostos extorsivos para a União (mesmo a zona sendo franca); folha e encargos de funcionários, boletos e esperando projeto ZFM ter mais 6 décadas de benesses para o PIM e mais ICMS para o comércio e serviços. Ser presidente da CNC dá Brasília, ministério e caneta nacional. Juntar os dois, é juntar o útil ao agradável: poder local + poder nacional. O problema é que, quem vende roupa, comida e presta serviço continua esperando a “defesa do comércio” sair do papel. Mas defesa mesmo só tem pra cadeira e essa ninguém tasca.






