Os Dr. Young’s Ideal Rectal Dilators foram comercializados mais de meio século, entre os anos 1890 e os anos 1940.
Vinham em conjunto de tamanhos graduados, com instruções de uso diário, e a publicidade prometia cura pra uma lista absurda de problemas: constipação, insônia, acne, mau hálito, nervosismo, dor de cabeça crônica.
Críticos médicos começaram a contestar as alegações já em 1893. Mas o produto continuou na prateleira por décadas. Em 1905, uma campanha publicitária ainda apresentava o dispositivo como recomendação médica pra ‘constipação crônica resistente’.
O golpe veio em 1940. O FDA, agência reguladora americana, apreendeu um carregamento do produto pelo procurador federal de Nova York. A decisão classificou os dilatadores como ‘misbranded’ (rotulagem enganosa) e os declarou ‘perigosos à saúde quando usados na frequência e duração indicadas pelo fabricante’.
Foi o fim comercial do dispositivo.Uma revisão retrospectiva publicada no American Journal of Gastroenterology décadas depois constatou o detalhe absurdo: os dilatadores em si eram funcionalmente idênticos a dispositivos médicos modernos usados em certas condições anorretais. O problema nunca foi o objeto.
Foi a lista de doenças que ele supostamente curava.É um caso típico do que precedeu o Federal Food, Drug, and Cosmetic Act de 1938: décadas em que confiança e marketing seguravam medicina ruim.











