Entre as 4.330 vítimas da letalidade policial de 2025 em nove estados brasileiros, 3.104 eram negras, ou seja, 71,7%. O número total de vítimas é 6,4% maior na comparação com 2024, quando a violência policial causou 4.068 mortes no total. Os registros são do Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Isso significa que, na média, pelo menos 8 pessoas negras foram mortas pela polícia nesses estados no ano passado.
A faixa etária mais atingida, considerando a soma dos nove, é dos 18 aos 39 anos, com 79% do total, e concentração entre os 18 aos 29, com 57,6%. As vítimas são “em sua imensa maioria” do gênero masculino, segundo o relatório “Pele Alvo” elaborado pela Rede de Observatórios da Segurança.
Um exemplo é o Estado do Amazonas que em 2025 registrou 100% de vítimas homens. O relatório acompanha os mesmos estados desde 2019 e, segundo seus pesquisadores, não é possível falar em avanço. “Os dados mostram que não estamos diante de uma fatalidade ou de casos isolados. Ano após ano, a principal vítima da letalidade policial continua sendo a juventude negra das periferias.
Se esse padrão se repete há sete edições do Pele Alvo, totalizando 28.799 mortes, fica evidente que ainda não existe uma política pública efetiva voltada para proteger essas vidas”, afirma Silvia Ramos, cientista social e diretora da Rede de Observatórios da Segurança. Em 2025, 312 crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos de idade foram atingidos pela violência policial nos estados monitorados pelo estudo. Duas delas, no Rio de Janeiro, tinham entre 0 e 12 anos.
O número aponta um crescimento de mortes entre crianças e jovens, uma vez que em 2024 o total foi de 298 vítimas, uma entre 0 e 12 anos, também atingida por operação policial no Rio de Janeiro. “Chamamos atenção para a perversidade com que o Estado, da forma mais diretamente violenta, tem incidido sobre as juventudes negras periféricas. Quando colocamos em perspectiva a definição de “mortes decorrentes da intervenção policial” — casos em que civis morrem em confrontos com policiais — e há duas vítimas de 0 a 11 anos registradas, por exemplo, constatamos que o modelo de segurança, o contexto em que essas mortes são orquestradas, como são encaradas e investigadas, precisam urgentemente de uma mudança efetiva”, afirma o relatório assinado pela rede que reúne diversas entidades de pesquisa em segurança pública.










