A ilha Tupinambarana faz que vai, mas não vai afundar!
Uma história de amor e dor sustenta o maior espetáculo da TERRA. Todo ano é a mesma conversa. Quando junho se aproxima, aparece quem jure que Parintins vai afundar. O porto lota, os barcos se multiplicam, os aviões chegam abarrotados, as ruas ficam pequenas para tanta gente e tanto sonho. A ilha balança, mas resiste. Faz que vai, mas não vai. Histórias de amor e de dor, o segredo talvez esteja em outra engenharia. Não a do concreto, dos guindastes ou das alegorias gigantes. A força de Parintins parece vir das histórias que sustentam seus alicerces invisíveis. Histórias de amor e de dor.

A língua, o símbolo fálico da paixão
O próprio nascimento do boi-bumbá é fruto de uma paixão desesperada. Catirina, grávida, deseja a língua do boi mais estimado da fazenda. Pai Francisco, dominado pelo amor, atende ao pedido e desencadeia uma tragédia. O animal morre, a comunidade entra em conflito e a história só encontra paz quando o boi ressuscita. Desde então, o amor e o sofrimento passaram a caminhar juntos no coração do espetáculo.

O azul e o encarnado
Nas arquibancadas, a tradição continua. Há famílias divididas entre o azul e o vermelho há gerações. Pais garantidos criam filhos caprichosos. Irmãos deixam de se falar durante o mês de junho. Casais apaixonados descobrem que o amor é maior que a rivalidade e transformam suas casas em territórios diplomáticos, onde o azul e o vermelho convivem sob o mesmo teto.

São os Romeus e as Julietas da cabucada amazônica
Nos galpões, outras histórias se repetem. Artesãos atravessam madrugadas, costureiras passam semanas longe do convívio familiar, soldadores e pintores transformam suor em fantasia. Muitos trabalham o ano inteiro para apenas três noites de apresentação. Não por dinheiro. Por pertencimento. Por devoção ao boi.

Perdas, sacrifícios, amores impossíveis
A dor também ocupa lugar de destaque nas toadas que atravessam gerações. Está no canoeiro que desaparece nas águas profundas dos rios amazônicos. Está nas lendas indígenas marcadas por perdas, sacrifícios e amores impossíveis. Está na saudade que tantas canções transformaram em poesia.

É por isso que Parintins nunca afunda
Porque a ilha não é sustentada apenas por madeira, concreto ou recursos públicos. Ela flutua sobre uma gigantesca reserva de afetos. Cada toada, cada alegoria, cada lágrima derramada na arena acrescenta mais uma camada de memória à cidade.

Vem pra perto!!
Por isso, quando alguém disser que Parintins vai afundar, o melhor conselho continua sendo o mesmo: sai de baixo e vem pra perto. A ilha está ocupada demais celebrando o amor e sobrevivendo à dor para perder tempo afundando.










