Respeitem nossa Constituição
Tem gente que passa tanto tempo olhando o Brasil do alto da Avenida Paulista que começa a acreditar que o resto do país é apenas paisagem. Uma grande sacanagem. A Fiesp se meteu – mais uma vez – em querer ensinar o Amazonas como ele deveria sobreviver. Foi à Justiça tentar derrubar direitos da Reforma Tributária – constantes na Carta Magna – que garantem a sobrevivência da Zona Franca de Manaus. A intenção era simples e rasteira: se a indústria amazônica atrapalha os planos paulistas, então o problema deve ser do Amazonas.

Cega, porém atenta!
Só que a Justiça olhou o pedido, examinou a embalagem, conferiu o endereço e devolveu ao remetente. Em termos jurídicos, a ação foi extinta. Em português claro, a Fiesp ouviu um elegante: “não é por aí, meu amigo”.

Beirando a canalhice
O mais curioso é que a entidade paulista insiste em tratar a Zona Franca como privilégio, quando ela existe, justamente, para corrigir um privilégio muito maior: a concentração desde sempre de investimentos, infraestrutura, crédito, universidades, rodovias, ferrovias, portos e oportunidades no Sul e Sudeste. É ganância.

Chorando de barriga cheia
Durante décadas, o Brasil construiu estradas para levar riqueza para um lado e dificuldades para o outro. Quando, finalmente, surge uma ZFM capaz de equilibrar minimamente essa balança, aparecem os fiscais da prosperidade alheia dizendo que o jogo ficou injusto.

A pergunta continua simples
Se a Zona Franca acabasse amanhã, as fábricas iriam para São Paulo? Algumas já estão lá, mas muitas outras iriam para o Paraguai e o que iria sobrar pra cá? O desmatamento, o garimpo ilegal e o narcotráfico para combater o desemprego, a pressão sobre a floresta e a expansão das atividades obscuras.

A floresta que o Trump não viu
O detalhe que costuma escapar à ganância é que a Zona Franca não produz apenas televisores, motocicletas ou aparelhos de ar-condicionado. Ela produz algo muito mais raro no Brasil: uma floresta preservada em escala continental que hoje não tem preço. Somente valor. E põe valor nisso.

O lixo da civilização
Enquanto parte do mundo procura soluções bilionárias para reduzir o estrago da poluição, esfriar o clima e proteger a floresta, a Amazônia presta esses serviços gratuitamente há séculos.

De graça e desde antigamente
Os rios voadores – que nascem da mata protegida e que hidratam as lavouras do Centro-Oeste e do Sudeste, não nascem em escritórios de consultoria. Nem nas trapalhadas da Faria Lima.

Trocando em miúdos
A Justiça apenas reafirmou algo que o Amazonas já sabe há muito tempo. Quem ajuda a sustentar a floresta ajuda a sustentar o Brasil. E quem insiste em atacar a ZFM precisa olhar menos para o próprio umbigo e prestar atenção no mapa do país.

Presta atenção, fanfarrão!
Porque o Brasil não termina em Minas Gerais e muito menos na ilharga da Marginal Pinheiros. E o Amazonas não precisa pedir licença pra prosperar. Caso contrário: “Vamos pastar!”











