Como Ancelotti conduziu a seleção
Enquanto a partida caminhava para os seus momentos decisivos, o Brasil inteiro parecia escalar a Seleção Brasileira do lado de fora. Nas arquibancadas do NRG Stadium, na tribuna de imprensa, nas redes sociais e nas casas de milhões de brasileiros, os pedidos se repetiam quase em uníssono. Casemiro precisava sair. Neymar precisava entrar. Luiz Henrique surgia como uma alternativa mais lógica. Gabriel Martinelli dificilmente aparecia entre as opções imaginadas para mudar o destino da classificação.
No banco de reservas, porém, Carlo Ancelotti enxergava outro jogo. Cercado por sua comissão técnica e fiel às ideias construídas ao longo da carreira, o treinador italiano não tinha acesso a esse clamor externo, ouviu apenas alguns gritos de Neymar nas arquibancadas, e seguiu a própria leitura da partida. Em vez de reagir, confiou naquilo que via dentro das quatro linhas.

A mesma lógica apareceu
Enquanto boa parte da torcida esperava Neymar ou imaginava Luiz Henrique como arma para acelerar o ataque, Ancelotti lançou Gabriel Martinelli. Não foi uma troca baseada no peso do nome. Foi baseada na leitura do jogo. Martinelli entrou por dentro, praticamente como um atacante de infiltração, deixando Vinicius Júnior ainda mais aberto pelo lado esquerdo. A movimentação criou um efeito dominó. Vini passou a atrair dois ou três marcadores constantemente. Do lado oposto, Endrick também prendia defensores. No momento decisivo, o espaço apareceu exatamente onde Ancelotti imaginava: Martinelli surgiu livre para finalizar e marcar o gol da classificação.
Quem acompanha a carreira do atacante entende por que o italiano confiou nele. Martinelli jamais foi um jogador de discursos. É avesso aos holofotes, concede poucas entrevistas e sempre construiu a carreira falando mais com a intensidade do que com as palavras. No ciclo da Copa do Mundo do Catar, sob o comando de Tite, era frequentemente convocado. Entrava pouco, é verdade, mas cumpria rigorosamente cada função que lhe era atribuída. Nunca reclamou do banco. Nunca fez campanha por mais minutos. Apenas trabalhou.











