Uma região cercada por mata
Este fato aconteceu quando a zona Leste de Manaus ainda estava começando a crescer. Naquela época, a Avenida Grande Circular terminava na Bola do T4. Dali em diante, existia apenas uma estrada de terra batida cercada por mata fechada.
Meu tio foi um dos primeiros moradores da área. Além disso, ele mantinha uma chácara afastada, cercada por pastos e vegetação dos dois lados.
Eu estava ajudando nos trabalhos quando alguns animais começaram a aparecer mortos de maneira muito estranha. No entanto, os ataques não pareciam obra de predadores comuns.
Mortes que ninguém conseguia explicar
Não parecia ataque de onça. Também não lembrava a ação de cachorros-do-mato. Os cavalos apareciam rasgados. Porém, quase nada havia sido devorado.
Por isso, decidimos observar a área durante a noite. Na terceira noite, resolvi ficar acordado para vigiar.
O som que veio da escuridão
Por volta da meia-noite, os cavalos começaram a ficar inquietos. Eles olhavam fixamente para a escuridão próxima à cerca. Além disso, bufavam e andavam de um lado para o outro.
Enquanto isso, os cachorros da propriedade, que latiam para qualquer coisa, simplesmente desapareceram.
Foi então que ouvi um som vindo da mata.
Parecia uma respiração pesada. Muito pesada.
Peguei uma lanterna e caminhei devagar até a cerca. Quando iluminei o capim alto, vi alguma coisa correndo em quatro patas. Contudo, aquilo não se movia como um animal comum. Pelo contrário, parecia grande demais.
Naquele momento, congelei.
O encontro com a criatura
De repente, os cavalos dispararam em desespero. Um deles caiu próximo ao açude. Em seguida, a criatura saltou sobre o animal em um movimento impressionante.
Lembro apenas dos gritos do cavalo e do rosnado daquela coisa. O som era tão forte que parecia vibrar dentro do peito.
Juro pela minha vida.
Por alguns segundos, a criatura ficou em pé.
Era muito alta. Estava coberta por pelos escuros. Além disso, tinha braços compridos, um focinho enorme e manchas de sangue ao redor da boca. Os olhos brilhavam quando a luz da lanterna os atingia.
A fuga e as marcas no barro
Sem pensar duas vezes, corri sem olhar para trás.
Meu tio saiu da casa com uma espingarda. Depois disso, voltamos juntos ao pasto para verificar o que havia acontecido.
No entanto, não encontramos mais a criatura. Restava apenas o cavalo morto e marcas profundas no barro, como se algo extremamente pesado tivesse atravessado o terreno em disparada.
O medo que ficou
Depois daquela noite, ninguém mais teve coragem de permanecer no pasto após o anoitecer.
Até hoje, quando lembro daquela cena, sinto o mesmo arrepio. Afinal, nunca descobrimos o que realmente atacou os animais naquela região da Grande Circular.
Relato enviado por Jorge Alberto Oliveira, morador do bairro Tancredo Neves.











