SELEÇÃO TROPEÇOU
O Brasil empatou com o Marrocos. De novo aquela sensação estranha de quem entra em campo cheio de patrocinador na camisa e pouca inspiração nas pernas. A seleção roda, toca, volta, gira, pensa e, quando o torcedor percebe, o juiz apita e ninguém sabe exatamente o que aconteceu. Enquanto isso, lá na Colônia Santo Antônio, na gloriosa Zona Norte de Manaus, teve gente resolvendo um problema bem mais concreto do que a crise existencial do futebol brasileiro.
Ao invés de discutir esquema tático, impedimento semiautomático ou qual influencer deve vestir a camisa amarela, o prefeito Renatinho Junior resolveu entrar em outro jogo. Um jogo onde a torcida não pede posse de bola. Pede quadra. Pede campo. Pede iluminação. Pede oportunidade para os filhos.

Durante o primeiro Arraial do Baré
No cenário de celebração instalado no tradicional Campo Torre, Renatinho anunciou investimento superior a R$ 2,4 milhões para construção de um complexo esportivo que promete transformar uma área há muito tempo utilizada pela comunidade, apesar das limitações estruturais. A ordem de serviço será assinada nesta quinta-feira. Pode parecer apenas mais uma obra pública. Mas nem sempre é.
Num país que costuma descobrir atletas olímpicos em terrenos baldios e craques de futebol em campos de barro, construir espaços esportivos continua sendo uma das formas mais baratas e eficientes de prevenção social já inventadas.

Cada menino correndo atrás de uma bola
Isso costuma dar menos trabalho para a polícia, para o tráfico e para as estatísticas da violência. O anúncio foi recebido como gol nos acréscimos pelos moradores da região, que há anos reivindicavam melhorias para o espaço. Segundo o projeto, o novo complexo contará com campo revitalizado, quadra poliesportiva, pista de caminhada e infraestrutura para atender crianças, jovens, adultos e idosos. O vereador Sérgio Baré, um guerreiro que articulou a demanda junto à Prefeitura, comemorou a conquista como resultado da mobilização da comunidade. E há mérito nisso. E todo prefeito tem que ir aonde o povo quer, porque política, quando funciona, deveria ser exatamente isso: alguém reclama, alguém escuta e alguém resolve.

Faltava presença, escuta e investimento
Infelizmente, essa sequência anda tão rara quanto um atacante brasileiro acertando o gol sem precisar de VAR. Mesmo com a estrutura precária, o campo continua cheio de crianças, jovens e projetos esportivos. O que falta não é vontade de usar o espaço. O que faltava era investimento. E está aí uma diferença importante

Entre o futebol da televisão e o futebol da vida real
No primeiro, milhões acompanham onze jogadores tentando encontrar o caminho do gol. No segundo, centenas de famílias tentam encontrar um caminho para os filhos. Quando uma comunidade ganha um espaço esportivo digno, não está recebendo apenas concreto, alambrado e pintura nova. Está recebendo um território de convivência. Um lugar onde surgem amizades, lideranças, campeonatos, projetos sociais, autoestima e pertencimento.
E, convenhamos, às vezes um campo novo vale mais do que um empate sem graça da Seleção.

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