Meu nome é Fábio Oliveira, sou caminhoneiro e isso que passo a relatar aconteceu quando eu estava voltando pela BR-319, numa época em que quase ninguém usava à noite, por causa da falta de iluminação. Quando cheguei na ponte do rio Curuçá, de madeira, vi algo parado bem no meio dela. No começo achei que fosse um poste ou uma sombra criada pelos faróis. Mas, conforme me aproximei, percebi que era uma pessoa. Ou algo parecido com uma.
Era alta demais. Muito alta. Os braços pareciam longos demais para o corpo, e a cabeça quase tocava a escuridão acima da ponte. Ela não se movia. Apenas estava ali, como se soubesse que eu chegaria naquele exato momento.
Parei o carro. Por alguns segundos, fiquei encarando aquela figura sem entender o que estava vendo. Então pisquei. E ela estava mais perto. Não ouvi passos. Não vi movimento. Mas estava mais perto. Engatei a ré sem tirar os olhos dela. Quando os pneus começaram a levantar poeira, a figura inclinou levemente a cabeça, como quem observa alguém indo embora.
Nunca atravessei aquela ponte. E até hoje me pergunto uma coisa: Se eu tivesse seguido em frente… quem teria passado primeiro? Eu ou ela?










