Uma noite estranha na fazenda
Eu sou Eloaldo da Silva. Atualmente moro no bairro da Glória, em Manaus, mas cresci em uma fazenda na comunidade Bela Vista, em Manacapuru. Incentivado por outros relatos que li aqui no Maskate, resolvi contar o que aconteceu comigo há muitos anos.
Aprendi desde cedo que os animais percebem o perigo antes das pessoas. Os cavalos sentem. Os cachorros sentem. Até as vacas mudam de comportamento quando alguma coisa estranha se aproxima.
Por isso, naquela noite, eu soube que havia algo errado antes mesmo de enxergar qualquer coisa.
Eu estava sozinho cuidando da propriedade do meu tio, conhecido como Zé Sobrinho. Ele havia viajado para Manaus para resolver alguns problemas pessoais. Enquanto isso, fiquei responsável pela fazenda.
Era época de colheita e o milharal estava enorme. Em alguns pontos, as plantas quase ultrapassavam a altura da cerca.
Os animais começaram a se comportar de forma estranha
Por volta das duas horas da madrugada, acordei com os cachorros latindo sem parar.
No entanto, não era um latido agressivo. Era diferente. Parecia um latido de medo.
Levantei irritado. A princípio, imaginei que alguém estivesse tentando roubar combustível ou mexer no galpão.
Peguei a lanterna e caminhei até a varanda.
Foi então que percebi algo incomum.
Todos os animais olhavam na mesma direção.
As vacas permaneciam amontoadas perto do curral. Os cavalos se mostravam inquietos. Além disso, os cachorros se recusavam a sair da porta da casa.
A figura no meio da plantação
Quando iluminei o milharal, não vi nada de imediato.
Apenas o vento balançava as folhas.
Porém, alguns segundos depois, a luz da lanterna alcançou algo que me fez congelar.
Havia uma silhueta parada no meio da plantação.
Ela permanecia completamente imóvel.
À primeira vista, parecia uma pessoa. Contudo, havia algo errado naquela figura.
A cabeça ficava levemente inclinada para o lado. Os braços pareciam compridos demais. Além disso, o corpo era extremamente magro.
O mais assustador era a sensação de que aquilo observava a casa sem piscar.
Gritei e perguntei quem estava ali.
Nenhuma resposta veio da escuridão.
A figura continuou parada.
Não se moveu sequer um centímetro.
Durante alguns instantes, tentei convencer a mim mesmo de que alguém fazia uma brincadeira de mau gosto.
No entanto, quanto mais eu observava, pior ficava a sensação.
Então percebi um detalhe que me arrepiou da cabeça aos pés.
Aquilo não respirava como uma pessoa normal.
O peito subia e descia rápido demais.
Parecia a respiração ofegante de um animal exausto.
E foi naquele momento que entendi que havia alguma coisa muito errada escondida no milharal.










