Oi, meu nome é Francisco, moro na Colônia Antônio Aleixo e o fato que passo a narrar, aconteceu já há alguns anos, assim que o Ramal do Brasileirinho começou a ser habitado e quase não havia moradores. Minha avó morava sozinha em um sítio e tinha uma mangueira enorme bem em frente da casa. Era daquelas árvores antigas, que faziam uma sombra enorme durante o dia. Numa noite de sábado, ela me ligou perguntando se eu podia dormir lá porque tinha acontecido uma coisa estranha na madrugada anterior. Quando cheguei, ela apontou para a mangueira e perguntou: “Se alguém quisesse fazer uma brincadeira comigo, você acha que ficaria horas sentado ali sem falar nada?”.
Achei que fosse impressão dela. Depois do jantar, ficamos na varanda conversando até tarde. Já devia passar da meia-noite quando ela segurou no meu braço e falou baixinho: “Olha lá.” Debaixo da mangueira tinha alguém sentado. Estava de costas para a casa, completamente imóvel. Não dava para saber se era homem ou mulher. Pensei que pudesse ser algum morador perdido ou até alguém esperando ajuda.
Peguei a lanterna e comecei a andar na direção da árvore. Minha avó pediu para eu não ir, mas continuei. Quando faltavam uns vinte metros, iluminei o lugar. Não tinha ninguém. Olhei em volta imaginando que a pessoa tivesse corrido. O chão estava coberto de folhas secas. Se alguém tivesse saído dali, eu teria ouvido. Voltei sem entender nada. Minha avó entrou na casa sem dizer mais uma palavra. Na manhã seguinte, enquanto tomávamos café, ela comentou uma coisa que nunca tinha me contado. Aquilo não tinha acontecido só naquela noite. Segundo ela, fazia quase um mês que, em algumas madrugadas, alguém aparecia sentado debaixo da mangueira. Sempre de costas para a casa. E nunca antes do relógio marcar meia-noite.











