Patifaria parlamentar
Tem assunto que aparece no Congresso com a mesma frequência das chuvas de inverno. Basta a eleição se aproximar. Lá vem a redução da maioridade penal. Lá vem o discurso duro (de encarar!). Lá vem a promessa de resolver a violência. Lá vem a exploração do medo.

Calendário manjado
É uma pauta tão previsível que já poderia constar do calendário eleitoral brasileiro. Janeiro: recesso. Fevereiro: carnaval. Julho: férias.

Ano eleitoral
O curioso é que os defensores mais barulhentos da medida raramente aparecem propondo soluções para os problemas que antecedem a entrada dos jovens na criminalidade. Pouco se fala sobre evasão escolar.

Enganar quem já foi
Pouco se fala sobre qualificação profissional. Pouco se fala sobre o abandono das periferias. Pouco se fala sobre a ausência do Estado. Pouco se fala sobre a recuperação dos dependentes químicos. Pouco se fala sobre a crise das famílias vulneráveis.

Discursos inflamados
Os números mostram que o Brasil já possui uma das maiores populações carcerárias do planeta. Os presídios vivem superlotados. As facções cresceram dentro das cadeias. A reincidência continua elevada. Mesmo assim, a solução apresentada por muitos parlamentares continua sendo a mesma.

Prender mais
Prender antes. Prender sempre. Se cadeia resolvesse violência por decreto, o Brasil seria uma das nações mais seguras do mundo. Infelizmente, a realidade não se deixa governar por slogans.

Diferença enorme
Entre enfrentar o crime e explorar politicamente o medo da população. A primeira exige estudo, planejamento, investimento e coragem. A segunda exige apenas um microfone. Quando a violência aumenta, o cidadão comum sente medo legítimo. É natural.









