Parte 1
A imagem da foto mostra os sobreviventes do trágico acidente do Voo 571 da Força Aérea Uruguaia, que caiu na Cordilheira dos Andes em outubro de 1972 com 45 pessoas a bordo. Isolado no gelo por 72 dias e sem qualquer fonte de alimento, o grupo precisou recorrer ao canibalismo para não morrer de fome extrema, uma das histórias de sobrevivência mais impactantes do século XX. O detalhe destacado pelo círculo vermelho no canto inferior direito revela uma espinha dorsal humana limpa na neve, ao lado de onde os jovens posavam para a foto. Dos passageiros e tripulantes, apenas 16 conseguiram resistir às condições congelantes da montanha e foram resgatados com vida em dezembro daquele ano.
Na tarde de 21 de dezembro de 1972, o comandante da Força Aérea Chilena Carlos García Monasterio chamou o cabo Ramón Canales para coordenar o voo de três helicópteros até os Andes. Monasterio recebeu a surpreendente notícia de que dois dos 45 passageiros do avião FH-227D, que havia caído na serra há mais de dois meses, tinham sido encontrados vivos. Tanto o Uruguai quanto o Chile procuravam há semanas, sem sucesso, o rastro dos passageiros no Vale das Lágrimas, uma parede de rochas e gelo de quase 4 mil metros de altura na fronteira entre o Chile e a Argentina. Após 10 dias de caminhada pela neve, tendo saído do local do acidente em busca de ajuda, os sobreviventes Fernando Parrado e Roberto Canessa encontraram um homem que os atendeu.
“Venho de um avião que caiu nas montanhas. Sou uruguaio. Estamos caminhando há dez dias. Há 14 feridos no avião. Temos que sair daqui rápido e não sabemos como. Não temos comida. Estamos enfraquecidos. Onde estamos?”, escreveu um deles em um pequeno pedaço de papel. “Era pouco provável para nós que eles fossem realmente os sobreviventes do avião uruguaio”, disse o cabo Canales à agência EFE no 50º aniversário do resgate, em 2022. “Tínhamos completado mais de cem missões em busca deles.”











